Miguel Salazar – A escolha de Júlio…

Perante todos os acontecimentos desta quinta feira, Miguel Salazar, pediu-nos para que lhe déssemos voz novamente. E como é óbvio o VitóriaSempre não poderia rejeitar o seu pedido.

Agradecemos também mais uma vez ao cronista por todo o empenho nesta nossa proposta. A preocupação dele é também a nossa…

Aqui fica a crónica de Miguel Salazar:

@ Miguel Salazar

@ Miguel Salazar

A escolha de Júlio…

No passado dia 10 de Abril, Júlio Mendes completou dois anos à frente dos destinos do Vitória. O balanço do mandato é obviamente positivo, mas já foi mais…

Será da mais elementar justiça reconhecer que o clube foi resgatado da insolvência iminente e que, com base nos relatórios apresentados em AG, respira agora um pouco melhor.

E por esse resgate, o clube e os sócios deverão ficar-lhe naturalmente agradecidos.

Apesar de todas as restrições orçamentais, ainda se conseguiram títulos fantásticos para o clube que, se em circunstâncias normais já seriam extraordinários, muito mais o serão numa conjuntura tão difícil, com tantos constrangimentos. Estou a falar obviamente das Taças de Portugal de futebol e de basquetebol, para além de inúmeros outros títulos das modalidades como, por exemplo, do kickboxing.

Neste final de semana, 3 meses e 1 semana depois dos primeiros indícios, JM admite finalmente que a Presidência da Liga está no seu horizonte. De um vitoriano que, tanto quanto consigo recordar, se propôs a ser Presidente do Vitória apenas e tão-só para o salvar, sem qualquer interesse pessoal que não fosse esse, era suposto esperar-se um pouco mais de amor pelo clube. Por isso mesmo, e a fazer fé nas suas propaladas intenções iniciais, custa a entender que JM pudesse almejar ser Presidente da Liga, em detrimento das suas funções actuais. Nesta altura, não é possível saber ainda se ele irá conseguir alcançar esse lugar, mas a verdade é que já reconheceu publicamente que se lhe “pedirem”, até poderá aceitar. Vitoriano que é realmente vitoriano jamais consideraria tão pouco a hipótese de interromper um mandato, e um trabalho que ele próprio já reconheceu estar inacabado, para dar largas às suas ambições pessoais.

Mas que fique bem claro que considero as suas aspirações perfeitamente legítimas. Se de facto é isso que pretende, tem todo o direito de o fazer. Aquilo que eu não quero, e que não aceito, é que algum dia JM se arrogue a qualquer uma de duas coisas.

Primeiro, que caia na tentação de se vangloriar de um vitorianismo que já provou que não tem. E depois, que caia numa outra tentação que é a de utilizar o argumento de que sempre trabalhou sem qualquer tipo de compensação. Porque não é verdade! JM poderá repetir as vezes que quiser que nunca teve qualquer retorno financeiro, mas aquilo que ele jamais poderá negar, em consciência, é que foi a notoriedade que o clube lhe deu, que lhe permite hoje-em-dia sonhar com a cadeira da Liga. Não fosse o Vitória, e JM continuaria a ser um ilustre desconhecido, pelo menos no mundo do futebol.

O Vitória deve muito a JM, mas a verdade é que o seu comportamento nos últimos meses tem deixado muito a desejar. Limitado pelas suas próprias ambições, e espartilhado que está pela necessidade de se tornar numa figura consensual, JM tem prevaricado nas suas obrigações enquanto Presidente da Direcção. O clube está indefeso, mudo e paralisado. Perdeu a sua voz e perdeu a capacidade de se indignar contra todas as injustiças de que o Vitória tem sido vítima. Essa necessidade de se tornar numa figura consensual já nos expôs a demasiadas humilhações e prejuízos.

A verdade é que neste momento, a (in)acção de JM já prejudica mais o clube do que aquilo que o beneficia.

Para que não se venha a cometer uma grande injustiça a respeito de todo o trabalho que já desenvolveu em prol do Vitória, para evitar uma saída sem glória, e principalmente a bem da grandeza do nosso clube, julgo que não restará a JM outra solução que não seja a de repensar muito rapidamente as suas prioridades, no que ao Vitória e à Liga dizem respeito. Porque se não o fizer, então deverá reconsiderar a sua continuidade como Presidente da Direcção do Vitória Sport Clube.

Mas é uma decisão que tem de ser célere. O clube não pode esperar mais.

No fundo, aquilo que está em questão é uma escolha tão simples quanto esta: o Vitória ou a Liga.

Um verdadeiro vitoriano não necessitaria de muito tempo para reflectir sobre essa questão. A verdade é que, para um verdadeiro vitoriano, a escolha seria imediata…

Miguel Salazar