Nacional – VITÓRIA (Antevisão)

Questão Técnico-Táctica

Foi mais uma exibição muito pouco convincente e a demonstrar poucos progressos a que o Vitória realizou na partida da passada  Segunda-feira, frente ao Rio Ave, no D.Afonso Henriques.

Assente num sistema táctico 1-4-4-2 em losango, o quarteto de meio campo dotou-se,uma vez mais, de uma gritante a falta de um jogador que assumisse a batuta do jogo ofensivo; na falta desse número 10, o futebol protagonizado pela Equipa orientada por Manuel Machado foi muito previsível, pois quase sempre o Vitória optou pelo futebol directo, para os 2 avançados que jogaram em cunha na frente de ataque, no caso os brasileiros Edgar e Douglas.

João Ribeiro e João Alves que foram os médios ala para esta partida nunca conseguiram chegar à linha de fundo para efectuar cruzamentos para os dianteiros e as raras excepções surgiram quando os laterais, Alex e Bruno Teles,conseguiam desequilibar . Num desses raros desequilíbrios, após um cruzamento de Alex, João Ribeiro no  segundo poste poderia ter feito o golo naquela que foi a melhor oportunidade em todo o jogo por parte do Vitória.

O maior problema proveniente do conjunto vimaranense não conseguir ser “mandão” e assumir as despesas de jogo foi, a meu ver, o facto de o meio campo se mostrar muito lento nos processos de transição para o ataque.

Clebér somente com 5 treinos foi logo titular e mostrou ser um bom pivot à frente da defesa e até foi na minha óptica o melhor jogador neste sector. Já. João Alves mostrou-se muito lento a soltar a bola, Edson Sitta também era pouco lesto a transportar a bola para o sector atacante e a fazer as transições e João Ribeiro, apesar de muito voluntarioso, não conseguiu mais uma vez ter rasgos individuais na faixa esquerda da zona intermediária.

 Neste contexto Douglas e Edgar tinham que procurar bola em zonas muito distantes da baliza vila-condense o que causava muito desgaste nos avançados Vitorianos. Somente, após a entrada de Pereirinha, que substituiu o lesionado João Alves, é que o Vitória se mostrou mais rápido e mais objectivo a sair para o ataque. Porém, após o Rio Ave acertar nas marcações o Vitória voltou a denotar imensas dificuldades e o recurso foi jogar um futebol directo para a área adversária; todavia sem resultados satisfatórios, já que a equipa comandada por Carlos Brito fechou-se muito bem na sua defesa e o quinteto de meio campo tapou muito bem as investidas dos jogadores do Vitória.

Manuel Machado também não foi feliz nas substituições, principalmente na última, onde não se percebe a razão de ter entrado Custódio, um médio defensivo, quando o Rio Ave apenas defendia o empate!? Seria mais pertinente por exemplo adiantar Bruno Teles para médio ala e fazer entrar Anderson, pois assim o Vitória poderia explorar a faixa esquerda e chegar à linha de fundo para que daí saíssem bons cruzamentos para a área onde Douglas ou Edgar pudessem resolver o jogo.

Em suma, exigia-se muito mais ao Vitória que jogando em casa e diante dos seus adeptos teria que fazer muito melhor para conseguir o primeiro triunfo da Época.

Um pouco à  margem da partida, dizer que não se percebe o porque de Rui Miguel não ser opção para Manuel Machado? Custa entender que numa equipa órfã de um número 10 ,se deixe de fora um jogador de inegável qualidade como é o beirão, apesar da sua pré-época menos conseguida. Mais grave parece-me ser a sua saída do Plantel pois se a opção Toscano não se revelar positiva, não se vislumbra uma alternativa ao brasileiro.Não merecerá, então, Rui Miguel uma oportunidade de Manuel Machado?

Voltando à Liga Zon Sagres, segue-se, agora, uma deslocação complicadíssima à Madeira, onde, na Choupana ,o Vitória vai defrontar a sempre difícil formação do Nacional. Basta lembrar que nunca o Vitória conseguiu derrotar os rubro- negros em sua casa. Será o regresso de Manuel Machado, Clebér, Edson Sitta e Edgar a uma “casa”que bem conhecem e cujo o conhecimento poderá ser positivo para a formação Vitoriana.

Para esta Partida não devem ser muitas as alterações no 11, comparativamente ao jogo com o Rio Ave.

João Alves, lesionado, não entra nas opções do Professor, abrindo-se assim espaço para a estreia absoluta de Marcelo Toscano que se espera que introduza mais virtuosismo e dê outro “perfume” ao meio campo Vitoriano. Quanto ao resto da equipa, parece-me que não deve ser alterada e, também, o figurino táctico 1-4-4-2 deve continuar a ser utilizado por Manuel Machado.A aposta em 2 avançados juntos na frente atacante para o jogo com os Nacionalistas parece-me ser a escolha mais adequada, pois na Choupana o Vitória encontrará um campo pequeno e o futebol directo pode ser melhor explorado.

Para isso será importante ter um avançado para ganhar a primeira bola e um segundo a aproveitar essas sobras, de modo a surgir uma materialização em golo desses hipotéticos desequilíbrios.

O 11 Inicial para o jogo com o Nacional poderia, então, ser este.

Adversário-Nacional

A equipa orientada por Jokanovic está em grande neste início de epoca.Soma 2 triunfos em outros tantos jogos e vêm desse triunfo altamente moralizador frente ao Benfica.

O sistema táctico predilecto de Jokanovic é o 1-4-4-2, com um meio campo a jogar em losango e deixando na frente um homem mais rápido para as transições e um outro mais posicional na área.

No sector defensivo, Bracalli pontifica na baliza onde  faz defesas enormes. Será o último obstáculo a ser ultrapassado pelo Vitória.

Ainda, na defesa conta com dois centrais brasileiros de bela qualidade.Felipe Lopes é um pilar e Danielson complementa-se muito bem com o seu compatriota. São ambos muito fortes no jogo aéreo. Depois nas laterais Patacas, na direita, já não tem a velocidade doutros tempos, mas é um lateral que gosta de subir no terreno. Do lado oposto deve jogar de inicío um central adaptado, no caso o jovem Montenegrino Tomasevic,  que sente muitas dificuldades quando se depara com um ala rápido. Se não jogar o balcânico, o substituto natural será o lateral de raiz Nuno Pinto, um lateral ofensivo e que cruza bem.

A zona intermediária do Nacional é muito forte.Como pivot, em frente à defesa surge, a meu ver, um dos melhores centro campistas do Campeonato, de seu nome Luís Alberto. Este brasileiro tem uma capacidade física impressionante e é um autêntico box–to-box pois ataca e defende com a mesma regularidade.

Do lado direito do losango surge Bruno Amaro, um médio muito combativo e que tem um remate muito forte, mas é igualmente muito lento e isso sente-se nas transiçõess alvinegras quando a intenção é utilizar o contra-ataque.

Além disso, faz com que a recuperação posicional dos seus colegas seja mais demorada. Apesar desse handicap, muita atenção nos livres frontais que possam surgir pois remata colocado e com muita violência.

Do lado canhoto, Skolnic um jogador esloveno com grande capacidade técnica e com um pé esquerdo de grande qualidade. Os livres laterais são batidos de forma muito perigosa por este compatriota de Zahovic.O homem mais adiantado do vértice de losango é o também esloveno, Mihelic; um 10 com muita qualidade no último passe e um médio Ofensivo muito irreverente na forma de jogar.

Na frente de ataque jogam Diego Barcellos que é, sem dúvida, um jogador muito rápido e tecnicista. Além disso, graças á sua combatividade dá muito trabalho aos defesas contrários.

Como referência de área surge Orlando Sá um avançado muito combativo e possante e forte no jogo de cabeça.

 No banco existem ainda boas opções, nomeadamente o Mateus, Edgar Costa e João Aurélio que são avançados rápidos e de boa qualidade técnica.

Jogar no Estádio da Choupana que fica no cimo de uma montanha é sempre muito complicado, pois quase sempre o clima é muito instável, o que prejudica muito o adversário que sente dificuldades em se adaptar a esta situação climatérica. Seguramente Manuel Machado por ter treinado três temporadas o Nacional poderá ter alguns “segredos” na forma como o Vitória e os seus jogadores possam superar as dificuldades de lá jogar.

Dentro das 4 linhas será seguramente necessário haver um Vitória personalizado, coeso, trabalhador e disposto a fazer muito mais do que o que fez nas duas primeiras jornadas da Liga.Só assim poderá “matar” o borrego de conseguir vencer pela primeira vez o Nacional em sua própria casa.

“Força Vitória e Vitória Sempre”.

José Lafuente

  Categories: