O Reencontro Do Ego …

Ponto prévio: o Vitória demonstra saúde física e táctica para tentar impor respeito a qualquer adversário… seja ele um contendor na pugna pela manutenção, seja, quiçá, o Porto, por estes dias o candidato mor à conquista do ceptro nacional…

Iniciando a partida, com a equipa que houvera perdido na pretérita semana em Coimbra, cedo se viu que os fantasmas de tão surpreendente e inesperada desfeita, ainda, estavam bem vivas… a equipa demonstrava um inusitado temor reverencial perante um Porto a respirar confiança e a pretender demonstrar desde cedo que pretendia resolver cedo o jogo…

Seguindo esta toada, o Vitória encolheu-se… aceitou que o adversário assumisse o controlo do desafio, que se encostasse ao seu último reduto e seguindo esta toada apostou no erro adversário… entretanto no seu sector mais avançado, nem Toscano, nem João Ribeiro e muito menos Edgar pareciam capazes de servir de barreira aos desequilíbrios causados pelas subidas de Fucile, na direita e em apoio a Hulk, e Álvaro Pereira, em apoio a Varela.

Porém, o futebol tem desígnios insondáveis e a sua beleza mor advém dessa realidade… Assim, os supra citados como adormecidos haveriam de construir um brilhante contra golpe em que João Ribeiro abriu para Edson e este deu o golo a Toscano… porém, o número 90 de baliza escancarada e a um metro da linha de golo meteu de forma defeituosa o pé à bola, fazendo-se gorar a suprema oportunidade do desafio, até à altura.

Todavia, era notório que, não obstante a escandalosa perdida, o losango dos branquinhos sentia dificuldades em suster o 4-3-3 portista… os laterais subiam com facilidade excessiva, apoiando a voracidade dos seus extremos, que ademais, ainda, contavam com a capacidade de passe de Moutinho e Belluschi para se desmarcarem nas costas dos laterais vitorianos, que careciam do imperioso apoio dos interiores do sistema táctico: Alves a Alex e Edson a Telles.

Atento a esta situação, e após a enésima perda de bola do brasileiro, que foi campeão no Corinthians ao lado de Teves e Mascherano, corria o ano de 2002, Machado perdeu a paciência e substituiu-o, fazendo entrar Pereirinha, em liça.

Adaptava-se o Vitória ao Porto, assumindo um claro 4-2-3-1… corria o minuto 27 e com a aposta nesta pedra, o treinador vitoriano procurava, simultaneamente, estancar o jogo ofensivo rival e ao mesmo tempo dotar a transição ofensiva de alguma imprevisibilidade… pois, na primeira fase desta, João Alves, e por vezes Cléber, passavam a ter mais soluções.

Mas, se a ideia no papel era boa, revelou-se, em primeira instância, um malogro… Efectivamente, é cartilha no futebol que uma alteração de posição carece de adaptação, mesmo durante o jogo… é necessário o atleta adquirir as rotinas da posição durante o desafio… e, acima de tudo, absorver os automatismos de forma supersónica!

Ora, tal, para mal dos pecados vitorianos não sucedeu…e três minutos após a entrada de Pereirinha, Hulk teve a possibilidade de executar uma jogada de um contra um contra Bruno Teles, que em nenhum momento teve compensação nas costas… como em tantas vezes, o brasileiro que, tem tanto de bom jogador como de deformado na educação, embalou e só parou a festejar perante a claque mais tumultuosa do país… e que insiste em causar desacatos perante a complacência das supostas forças de autoridade, que apenas zelam por esta quando do outro lado estão camisolas brancas… sejam os portadores crianças, velhos, ou mulheres… Mas sendo outras cores, parecem sorrir e apreciar cenas tristes que não prestigiam os seus autores, ou quem permite que as mesmas sejam realizadas!

Marcava o Porto e temia-se que o jogo ficasse, definitivamente, resolvido… o Vitória tentava atacar, mas Edgar pouco apoiado por Toscano, com tiques de vedeta e a pedir um banho de humildade no banco, jamais conseguia inquietar o último reduto rival.
E tamanha era a desorientação, que de um pontapé de rede de Helton, Moutinho isolou-se e só não fez golo, graças a uma espantosa intervenção de Nilson, que apesar de Xistra não ter apontado o respectivo canto, teve papel preponderante na manutenção do resultado.

E assim, atingíamos o intervalo…

Na segunda metade, o Porto entrou, tentando-nos fazer entender o que Villas Boas pretende dizer com a máxima “descansar com a bola”. Na verdade, tal chavão, aplicado ao extremo, redunda numa toada modorrenta em que a bola vai girando de pé para pé, com pouco interesse na progressão… transições rápidas passam a ser miragem em detrimento na segurança da posse.

Após profundo desespero adversário, a aposta nas cavalgadas de Hulk servirão para o último golpe… Porém, desta feita pela frente apanharam um Vitória inexpugnável na defesa e sempre crente num momento mágico; magia, essa que não chegaria através de Toscano, substituído – finalmente – por Faouzi.

E o marroquino, verdade seja dita, merece um parágrafo só para si… haveria de entrar em pugna aos sessenta e um minutos e sair lesionado cerca de vinte minutos depois… porém durante esse período haveria de agitar, totalmente, com o desafio. Assim, aos sessenta e quatro minutos aproveitando uma falha de Fucile haveria de empatar o desafio, tornando o Afonso Henriques um vulcão, e logo em seguida haveria de provocar a expulsão do uruguaio, colocando os portistas a jogar com dez unidades. No seguimento do lance, Villas Boas, numa atitude digna do clone de quem ele diz não pretender seguir mas que copia em todos os tiques, esquecendo-se que ao invés do original nada ganhou, haveria de protestar veementemente e ser expulso.

O Vitória entrava na parte final do desafio com o jogo empatado e com possibilidades de dar a estocada final… ainda para mais, atendendo que o adversário em inferioridade numérica apostou numa defesa de três homens, com Maicon a fechar o lado direito…

Porém, tal desequilíbrio numérico haveria ser Sol de pouca dura, já que o verdadeiro herói do jogo haveria de se lesionar e ter de ser retirado do campo… como Flávio já houvera entrado para o lugar de João Alves, o Vitória via-se obrigado a jogar com dez unidades, num momento em que já não existia táctica que aguentasse.

E, verdade seja dita, apesar de tal facto ter potenciado um último assédio tripeiro ao último reduto dos conquistadores, haveria de ser Edgar no último minuto com um cabeceamento a proporcionar a Hélton, uma monstruosa intervenção, impedindo que o Afonso Henriques entrasse em estado de insanidade absoluta…

Xistra haveria de silvar o apito pela última vez, logo de seguida… o Vitória acabava com o ciclo vitorioso do adversário e mantinha-se invicto no seu reduto. Além disso, devido às dúvidas existenciais causadas pela derrota em Coimbra, reencontrava o seu ego de equipa competitiva e de nível superior… apesar da imprensa, parcial e facciosa, continuar a incensar outras equipas… No entanto, apesar disso, o que contam os pontos e os branquinhos encontram-se no segundo lugar, por mérito próprio e exclusivo.

< FOTOS BREVEMENTE >

Golo :

@ imagem : vitoriasc.pt
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