O sonho que se esfumou …

20140603 Júlio Mendes

 

O sonho que se esfumou…

Este tipo de sonhos era recorrente nos meses mais recentes da vida de Júlio Mendes.
Desta feita, entusiasmado talvez pelos Campeonatos Europeus de Trampolim realizados em Guimarães, JM sonhava que era um campeão da modalidade. Tinha inclusivamente criado um salto inédito – o Brutus Triple Back –, que ele estava convencido que haveria de o levar ao Olimpo.
Era um movimento cujo nome se inspirava no episódio da morte do Imperador Romano Júlio César. Consistia num triplo mortal à rectaguarda com dupla pirueta, com um dos membros superiores a fazer um movimento circular de projecção anterior, tipo “facada”. Era um movimento que nunca deveria ser feito com uma abordagem frontal do aparelho, e em que o atleta não era normalmente penalizado pela flexão do tronco, pois era praticamente impossível manter a verticalidade da coluna vertebral durante a sua execução. O movimento terminava com a projecção do atleta para bem longe dos dois trampolins que tinha usado.
Era um movimento muito pouco ortodoxo. Na realidade, era mesmo desprezado pela maioria dos especialistas, dada a manifesta incapacidade que o atleta tinha de conseguir manter uma postura minimamente correcta durante a sua execução, e ainda pelo facto de o seu coeficiente artístico ser praticamente nulo. Mas os mais pragmáticos não pensavam assim. Diziam que a extrema deselegância do Brutus Triple Back era largamente compensada pela tremenda eficácia do movimento, ao conseguir projectar o atleta para bem longe do duplo-mini trampolim. Afinal, era mesmo esse o seu grande objectivo. JM era quase perfeito no desenho deste movimento, mas isso tinha exigido dele um enorme sacrifício que o obrigou a passar por uma infinidade de provações, incluindo o cumprimento de uma dieta rigorosa feita à base de sapos.
Era assim o salto que Júlio Mendes tinha sonhado, mas não seria assim que ele iria acabar. Ia JM já a meio do seu Brutus Triple Back, quando foi violentamente arrancado do seu sonho. Acordado para a realidade, olhou em seu redor e ficou confuso. Estava realmente no ar e a girar sobre si próprio.
Afinal, o que é que lhe estava a acontecer?…

José Rialto

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