Observação do adversário – NHK Rijeka

061252_2_2653_noticiagr-610x282

Após um prolongado interregno de 8 anos, o Vitória está de volta à fase de grupos de uma competição europeia. Os croatas do NK Rijeka irão apadrinhar este regresso do futebol europeu ao D. Afonso Henriques, equipa que é também praticamente estreante nestas lides.
Sedentos de experiências de outro nível que não os rotineiros encontros com clubes deste país à beira mar plantado, os Vitorianos já olham para este embate com expetativa e ansiosos que o relógio bata as 20 horas de quinta-feira. Toda esta atmosfera envolvente especial deverá traduzir-se numa presença a rondar a meia-casa, com perto de duas centenas de fanáticos croatas a viajarem desde Rijeka.

 

O adversário

O percurso crescente deste pouco reputado clube de Leste culminou com uma inédita presença na fase de grupos da Liga Europa. Pelo caminho ficou o Estugarda, numa das maiores surpresas da prova. A fantástica prestação frente aos alemães fez abrir os olhos da Europa para este clube situado na pequena mas belíssima cidade de Rijeka.
Internamente o Rijeka tem-se afirmado nos últimos tempos como uma das principais forças da oposição ao todo-poderoso Dínamo de Zagreb, que nas últimas décadas tem monopolizado o futebol croata. O plantel de Matjaz Kek está munido de alguns bons jogadores, alguns deles curiosamente provenientes do rival de Zagreb…

No plano técnico-tático, a equipa croata organiza-se num bem vincado 4x2x2x2, uma variante do clássico 4x4x2. Tradicional linha de 4 defensores lá atrás, suportados por um duplo-pivôt de trabalho. Nos flancos temos dois alas bem abertos, focados no suporte à dupla de goleadores.

Destaque para o facto de a equipa croata chegar a Guimarães arrasada por lesões e castigos. São uma dezena de jogadores que estão impedidos de amanhã pisarem o relvado do Afonso Henriques, entre eles o talentoso Anas Sharbini, o rotativo Damir Zlomislic e os pilares da defesa Dario Knezevic (já passou pela Juventus) e o eslovaco – um dos poucos estrangeiros desta equipa – Matija Skarabot.
Contudo estes infortúnios do adversário não devem servir como motivo para cair numa postura de indolência e desvalorizar o Rijeka, dado que ainda assim os Fiume apresentam algumas individualidades que merecem distinção e que podem vir a causar problemas ao Vitória.

Na direita do setor mais recuado desponta o talentoso Ivan Tomecak  (ex Dinamo de Zagreb), ele que é um extremo de formação e que portanto participa ativamente nas manobras ofensivas da equipa.
Saltando para o meio-campo impõe-se o nome de Nikola Pokrivac (outro ex Dinamo de Zagreb), ele que possui um pé canhoto de qualidade. Na direita Muslimovic é um agitador nato e a dupla de ataque consagra o que de melhor é produzido nas escolas jugoslavas: Andrej Kramaric e Leon Benko são dois goleadores de primeira craveira e têm capacidade para fazer tremer qualquer defesa. Na temporada passada ambos fizeram em conjunto a módica quantia de 33 golos no campeonato croata… A ver e rever por Rui Vitória.

De resto esta parelha de avançados é o principal porto de abrigo dos Fiume, que nos seus movimentos ofensivos se apoiam nas movimentações de Benko e Kramaric. Mal conquista a posse de bola, a primeira preocupação do Rijeka é fazer a bola chegar à frente de ataque, seja através dos seus verticais extremos (especialmente pelo flanco direito, com Tomecak e Muslimovic) ou do jogo direto para os avançados. A construção de jogo dos croatas privilegia a eficácia em detrimento da elaboração e geralmente envolve poucos jogadores.
Apesar de tudo não se pode subestimar o poderio no último terço dos croatas, que através do jogo direto conseguem imprimir velocidade no jogo e surpreender os adversários. O último triunfo do Rijeka em Belupo foi obtido através de um golo solitário na sequência de um lançamento nas costas da equipa da casa, com Kramaric a resolver o assunto numa bela jogada individual.

Relativamente aos processos defensivos, são os dois homens da frente que funcionam como os primeiros defesas enquanto a equipa se reorganiza lá atrás. Os alas juntam-se ao duplo-pivôt mantendo a dupla de pontas de lança na frente, na expetativa de serem lançados numa repentina transição. Assim, será comum hoje vermos 9 homens croatas atrás da linha do meio-campo a trabalhar para recuperar a bola, passando depois à fase seguinte em caso de recuperação do esférico.
O Vitória poderá aproveitar algumas dificuldades do Rijeka na nuance da transição ataque-defesa, já que os croatas costumam colocar muitos homens na frente (geralmente quatro) e podem ter alguns problemas em recuperar e voltar a juntar as linhas. Pede-se aos homens de Rui Vitória que acelerem os processos e que não caiam no erro de lateralizar a posse de bola excessivamente. Só com rapidez e acutilância será possível desmontar a já de si frágil organização defensiva do Rijeka e chegar ao(s) golo(s) que darão 3 importantes pontos e um encaixe financeiro imediato de 200 mil euros.

Se os nossos Conquistadores ambicionam honrar os pregaminhos do Clube  e espalhar o nome do Vitória pela Europa fora, nada melhor que vencer mais logo os croatas do Rijeka. Dificilmente se conjugará melhor oportunidade tendo em conta a qualidade das restantes equipas integrantes do Grupo I desta Liga Europa. Mantendo sempre os pés bem assentes na terra e munidos do espírito de conquista habitual, a equipa vencerá esta batalha. Também por isso é fundamental que os Vitorianos apareçam em massa para empurrar os Branquinhos rumo ao sucesso. Logo, todos ao estádio!

FORÇA VITÓRIA!

  Categories: