Opinião Carlos Ribeiro: Pré-pré-temporada

Ainda agora viemos da ressaca de uma temporada que esteve longe de correr de feição e já faltam menos de 15 dias para o regresso das ilusões, das altas expectativas e da esperança de que esta época é que será. Convenhamos que estou mais confiante do que na época passada essencialmente porque o timoneiro não se chama Nelo Vingada, mas Manuel Machado. Como já escrevi gosto pouco do discurso do novo treinador do Vitória, mas a verdade é que nada disso é realmente relevante se nos der os resultados desportivos que ambicionámos. E, apesar disso, considero que é a melhor aposta para treinar o Vitória nesta altura, por razões várias: por pensar futebol, por ser um conhecedor nato do futebol português, por ser alguém com um passado na formação do clube e porque creio que pode preencher lacunas importantes naquilo que é a defesa da “colectividade”.

Contudo, terão que lhe ser dadas condições. E isso é aquilo que nesta altura mais me preocupa. Talvez porque já saiba do que a casa gasta e porque estamos hoje, já a menos de 15 dias da abertura da “oficina” vitoriana. Ainda haverá tempo? Naturalmente e ainda que fosse essencial que no início dos trabalhos o plantel estivesse já formado, a verdade é que a distância para os jogos oficiais ainda é suficiente grande para acreditarmos que tudo estará em “ponto de rebuçado” no início da temporada.

Confesso é que temo que o recente episódio Marcos António seja o “pão nosso de cada dia” neste defeso. Contratações quase anunciadas e depois desviadas ao mínimo estalar de dedos de outro clube. Acresce a isso, a não continuação de Gustavo. Não a estranho, principalmente no timing, mas não a percebo em termos estratégicos, essencialmente porque se tratava de um jogador com mercado suficiente para o Vitória conseguir um bom encaixe financeiro. De que servem as cláusulas de opção se não temos possibilidade de as accionar? Será preferível apostar 400 mil num jogador angolano que nunca actuou em Portugal ou 300 mil num lateral esquerdo que agora tudo fazem para o empurrar? Ou até 150 mil num outro lateral esquerdo emprestado a um clube do terceiro escalão nacional?

Estes dias trouxeram ainda à baila um outro assunto. A prometida e mais do que anunciada equipa satélite – Fafe – afinal já não o vai ser. As trocas de argumentos e “insultos” de um ou outro lado, nem sequer as vou chamar para aqui, destacaria apenas o facto do Vitória ter reagido em comunicado oficial às declarações do presidente do Fafe, 11 dias depois deste ter falado!!! 11 dias! A direcção ou o responsável pela comunicação do sítio oficial estavam de férias? Ou será que é mesmo o espaço de tempo necessário para se escrever um comunicado em que se acusa a outra parte de ter mentido?

Aparte esse facto, creio que será fundamental que o Vitória também de uma vez por todas consiga montar uma política de colocação dos jovens formados no clube que possa dar frutos ao Vitória, ou seja, que seja benéfica para a evolução dos atletas. Colocar os jogadores em clubes de terceiro e quarto escalões nacionais ou mesmo em divisões distritais é atrasar ou praticamente estagnar a evolução dos jovens jogadores. Porque nada se evolui a jogar em pelados ou em competições onde as condições para os clubes são absolutamente miseráveis. O Vitória com a importância que já tem no panorama da formação nacional, marcando até este ano presença nas fases finais das três competições mais jovens, terá de ter a capacidade necessária para colocar os seus atletas nas competições profissionais e em clubes com ambições relevantes e condições que permitam, no espaço de um ou dois anos, ao jogador regressar à casa-mãe. Caso contrário, continuaremos a ver jogadores da formação vitoriana, perdidos pelas divisões mais baixas, sem qualquer destaque e acima de tudo longe da vista dos responsáveis que teimam em seguir apenas aqueles que aparecem à frente dos seus olhos ou que andam protegidos pelo mediatismo.

Uma última palavra para a selecção. Já foi dada como defunta vezes sem conta, a comunicação social continua de gravata preta no bolso, pronta para o funeral, mas pode ser que, a exemplo do que aconteceu nos últimos jogos de qualificação que a mesma se volte a erguer e faça um campeonato do mundo ao nível do que esperamos, numa fase final onde encontraremos o grupo mais difícil dos últimos 10 anos. Mas, por favor… calem as vuvuzelas. Chega de importações idiotas.

Carlos Ribeiro
http://ovimaranes.blogspot.com/

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