Opinião Pedro Ribeiro: O futebol de formação vitoriano

O Vitória alcançou esta época um feito que não pode deixar de ser destacado: pela primeira vez (que me recorde) conseguiu colocar as seus 3 principais equipas da formação de futebol na fase final: iniciados, juvenis e juniores. Este feito é tanto mais de assinalar se notarmos que nos 3 escalões iremos partilhar essa final-four precisamente com os 3 clubes que tanto são “levados ao colo” pela generalidade da imprensa.

Não podia por isso deixar de dar aqui os parabéns a todos os responsáveis por este sector do futebol vitoriano. E apelar a que os vitorianos acarinhem e apoiem estas 3 equipas. Sei que não deixarão de marcar presença, mas nunca é demais lembrar os vitorianos que a fase decisiva está aí a chegar.

Eu tive a felicidade de estar presente ao vivo nos nossos dois títulos nacionais nos escalões de formação e foram duas grandes alegrias. Vibrei imensamente em 1991, em Mira D’Aire, quando ganhamos ao favorito Sporting de Figo já nos penalties. Chegamos a estar em desvantagem nesse desempate por grandes penalidades e a um golo de perder o troféu mas recuperamos e pudemos gritar “Campeões!”. Festejei também em 1996, junto à rede, bem atrás da baliza adversária, o golo solitário de Kipulo aos 15m que nos deu o título de iniciados em Mirando da Corvo, frente ao Benfica.

Posto isto, não posso deixar no entanto de pensar na contribuição real da formação para o futebol sénior vitoriano. E aí, fases finais ou títulos não significaram de todo um maior aproveitamento. Atente-se nas equipas vitorianos de cada uma das finais que nos deixaram escrever essas belas páginas da nossa história:

Jogadores da final onde fomos campeões nacionais de juniores em 1990/1991:
Zé Lourenço, Cerqueira, Aníbal, Sérgio Lomba, David (Xico 90m), Miguel, João, Geani, Rui Miguel, Toni (Zi 45m) e Armando.

Jogadores da final onde fomos campeões nacionais de iniciados em 1995/1996:
Ricardo, Baptista, Samuel, Kipulo, Tiago, Vieira (Plácido 65m), Luís Carlos (Bruno 58m), Lima, Carvalho, Pedro e Hugo.

Quantos destes jogadores realmente singraram no futebol sénior? E quantos deles é que o fizeram no Vitória? Como é que jogadores como o Geani não foram aproveitados? O que falhou?

A transição para o futebol sénior nunca é fácil. Entendo isso. Mas acho que o Vitória podia e devia ter toda uma estrutura que lhe permitisse tirar melhor partida da sua escola de formação. É um assunto fundamental na vida do clube. Somos um país (e equipa) sem o poder de compra de outros e isso reflecte-se no nosso poderio financeiro para conseguir chamar activos. E a nossa formação é uma das melhores respostas que podemos ter para gerar activos tanto desportivos como financeiros.

Quantas vezes não fomos buscar (e pagar) por jogadores de nível duvidoso quando tínhamos boas alternativas “em casa”? Qual o plano real que o Vitória tem actualmente para garantir a transição dos nossos bons júniores? Com todo o respeito pelo Maria da Fonte, será a 3ª divisão nacional, o quarto escalão futebolístico português, a melhor maneira de fazer evoluir jogadores como o Jussane, Fausto e Gonçalo? Será que a 2ª B é o melhor que conseguimos para os mais promissores que até já jogaram pelos séniores como é o caso do Vítor Bastos (Vizela) ou Dinis (Gondomar)?

Não sei com certeza a resposta ideal, mas sei que o Vitória pode e deve olhar com mais atenção para a sua formação. É todo um manancial de jogadores que nos poderá trazer todo o tipo de alegrias. Espero que o próximo treinador, seja ele quem for (e se o nome de Manuel Machado se concretizar, recordo que foi ele o treinador da equipa campeã de júniores – o de iniciados foi Emídio Magalhães) aposte nas camadas jovens. São jogadores que ainda por cima sabem o que é nosso emblema e sentem o Vitória. É necessário acompanhar muito bem e assegurar que no futuro, o Vitória tenha uma maneira e aproveitar os bons valores que vamos formando. Quero acreditar que alguns dos futuros craques que farão vibrar o D. Afonso Henriques vestem já a nossa camisola nos escalões de formação…

E fica novamente o apelo: apoie as nossas equipas de formação nas suas respectivas fases finais! Eles merecem e o Vitória é feito (também) por eles. Força miúdos! Força Vitória!

Pedro Ribeiro
http://paixaovitoriana.blogspot.com

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