Oxalá !

Quem é que nunca teve uma forte admiração por alguém famoso? Creio que todos nós já tivemos.

Nunca fui uma fã muito «comum». Ao contrário das minhas amigas, nunca andei atrás dos meus «ídolos», nunca me preocupei em saber «tudo» sobre a sua vida e nunca revesti as paredes do meu quarto com posters seus (o meu quarto estava decorado, unicamente, com posters do Vitória!).

A minha primeira «paixão» (e não interpretem esta palavra com segundas intenções, por favor!) foi, como de muitos outros vitorianos da minha geração, Paulinho Cascavel. O homem marcava que se fartava e bastava ele ter a bola nos pés para eu começar a gritar golo! Bons tempos! (Curiosamente, só muitos anos mais tarde, aquando da comemoração dos 75 anos do Vitória, é que eu estive pessoalmente com ele e consegui, finalmente, o seu autógrafo!)

Mas, se há pessoas famosas que consideramos nossos «ídolos» também há aquelas sobre as quais nutrimos alguns «ódios de estimação» …

Prosseguindo, quando comecei a seguir mais assiduamente o voleibol do Vitória, reparei que sempre que jogávamos com o Castêlo da Maia havia um jogador maiato que era muito assobiado. Eu nunca soube realmente o motivo desses apupos mas, se os meus consócios assobiavam, eu também assobiava. Na verdade o «gajo» era bastante irascível e irritante. Quando me disseram que ele vinha para o Vitória eu não acreditei. (Acho que só me mentalizei que era mesmo verdade quando o vi a jogar de «Afonso» ao peito). A velha máxima «Se não os podes vencer, junta-te a eles» servia na perfeição para este caso… Agora que o Pedro (o Azenha, pois claro!) se foi embora, posso dizer que tudo o que eu «detestava» nele enquanto adversário, foi tudo aquilo que eu «amei» enquanto defendeu as cores do nosso Vitória: o empenho, a luta, a entrega, a confiança, o querer sempre mais e o nunca desistir.

Tudo isto para falar sobre Paulo Cunha, o novo reforço do basquetebol vitoriano. Já foi lembrado no fórum da AVS que, quando vencemos a Taça de Portugal naquele fim-de-semana épico em Elvas, este basquetebolista, ressentido e com muita «dor de cotovelo», disse que aquela seria a única vez que ganharíamos ao seu clube (ou algo do género). Ora, como todos nós nos sabemos, enganou-se e de que maneira. Desde esse histórico dia, já vencemos inúmeras vezes o seu ex-clube (e iremos continuar a vencê-lo). Deste senhor, que irá agora defender as cores do nosso clube, não quero que declare que, afinal, é do Vitória desde «pequenino» ou que sempre sonhou representar o nosso clube. Nada do que agora disser poderá «apagar» o que foi dito naquela altura nem nós, vitorianos, nos iremos esquecer disso. Porém, espero, isso sim, que este atleta demonstre, ao longo da época, que merece envergar a camisola do nosso Vitória e que revele, em «campo» e fora dele, sempre que nos estiver a representar, empenho, dedicação, bravura, determinação, profissionalismo e respeito, muito respeito pelo Vitória Sport Clube. Tal como aconteceu com o Paulinho Cascavel ou o próprio Pedro Azenha, desejo que o Paulo Cunha vença ao serviço do nosso Vitória e que, sobretudo, conquiste por mérito próprio um lugar na nossa história, tornando-se, quem sabe, também ele, «ídolo» de todos os vitorianos. Seria sinal que esta modalidade teria conquistado ainda mais títulos para o nosso Vitória! Oxalá!

Elsa Teixeira

  Categories: