Pedro Miguel Carvalho – QUE PROJECTO E QUE FUTURO?

VITÓRIA: QUE PROJECTO E QUE FUTURO?

O Vitória de Guimarães vive presentemente um momento difícil da sua historia, uma vez que vive uma crise profunda, tem uma direcção demissionária, um elevado passivo e está sem um projecto económico-desportivo sustentado há mais de uma década.

Emílio Macedo da Silva e a sua Direcção foram absolutamente incapazes de gerir o Clube, quer em termos financeiros, quer em termos desportivos, apesar das sucessivas promessas de, ao longo de dois mandatos, organizar o Clube, sanear as suas contas e projectar o futuro. Antes pelo contrário, aumentaram, de forma incompreensível, o passivo, apesar das vendas milionários de jogadores como o Bebé, destruíram planteis, queimaram treinadores e jogadores, desbarataram capital humano, desportivo e histórico, perdendo influencia na própria região, permitindo que o nosso rival Braga se destacasse desportivamente, com um projecto sólido e consolidado.

Foram inúmeros os erros quer em termos de gestão económica, quer em termos de gestão desportiva.

Foram inúmeras as vozes, onde me incluo, que foram alertando para a falta de projecto desportivo e económico da Direcção cessante para o Clube, tentando dessa forma que estes dirigentes arrepiassem caminho, adquirissem competências e procurassem, com a colaboração de todos os sócios, inverter o ciclo negativo que o clube vem atravessando, e que, sejamos honestos, se iniciou no último mandato de Pimenta Machado, continuou no mandato de Vítor Magalhães, e agravou-se nestes dois mandatos de Emílio Macedo da Silva.

Com esta demissão seria de acreditar que surgissem candidaturas que potencialmente poderiam, num futuro próximo, estancar o passivo, sanear, a médio prazo – porque já se tornou impossível, face aos montantes, fazê-lo num só mandato –, as contas e projectar o futuro do clube. Futuro esse que se deseja ganhador e condizente com os pergaminhos e importância do Clube na cidade e na região.
Porém, apesar de alguma esperança nesse sentido, creio numa primeira análise, que as candidaturas que se apresentaram, não têm um projecto e uma equipa capazes de alcançar esse desiderato. Não se trata de uma afirmação pessimista e céptica por natureza, mas antes a constatação de um facto – que esperemos que seja contrariado pela história – uma vez que uma candidatura, a de Júlio Mendes, será, ao que tudo indica, uma candidatura de continuidade, sem projecto novo, apenas com uma nova liderança e um desejo de constituir uma SAD, e a outra candidatura, corporizada por Pinto Brasil, é a reapresentação de um projecto inacabado, que foi já sufragado e recusado pelos Vitorianos no passado.
Aguardarei contudo pela campanha eleitoral e pela apresentação pública dos possíveis projectos, procurando verificar se esta minha primeira análise está errada, e contrariando os primeiros sinais, estas candidaturas de facto têm um projecto económico e desportivo para o Vitória que possa fazer acreditar numa inversão de ciclo.

Poderá eventualmente surgir alguma surpresa, particularmente da candidatura de Júlio Mendes, que obrigatoriamente terá que demonstrar aos sócios que não é, conforme supra se disse, apenas uma lista de continuidade – em que apenas mudam os nomes e os estilos de liderança – mas sim uma candidatura com um projecto definido e sustentado que permita acreditar na referida inversão de ciclo, demonstrando que, apesar de a maioria dos seus membros ter participado da gestão de Emílio Macedo da Silva, têm um projecto e as condições financeiras e competências desportivas que faltaram ao primeiro.

Esperei e estive atento a outras eventuais candidaturas com lideranças fortes e com projectos que antecipadamente nos fizessem acreditar num futuro diferente e e na inversão deste ciclo negativo que o Clube atravessa.

Esperei ver Vitorianos como Pedro Xavier ou Ricardo Pimenta Machado a avançarem e a apresentarem-se a eleições com projectos e equipas capazes de inverter o actual cenário e ciclo. Infelizmente tal não aconteceu, por razões que maioritariamente já são conhecidas de todos.

Naturalmente, o que actualmente importa discutir são as candidaturas de quem se apresentou e não de quem se deveria ter apresentado, porque os Vitorianos vão ter que escolher, e a escolha não parece fácil.

É imperioso que as duas candidaturas que se vão apresentar a votos não se ocupem, na campanha, a apresentar promessas de jogadores e de resultados desportivos, com chavões gastos, antes devendo procurar demonstrar que têm um projecto, explicitando e definindo, com clareza, os meios e objectivos delineados para alterar o status quo, as soluções financeiras e desportivas a implementar, esclarecendo os Vitorianos do que pretendem, para onde querem ir e que futuro poderão proporcionar ao Vitória.

São inúmeros os sócios que se encontram desmotivados, sendo provável e previsível, mas não desejável, que esta seja uma das eleições menos concorridas, com uma elevada percentagem de abstenção.

Era importante que assim não fosse, pois entendo que os sócios, mesmo não se revendo integralmente em qualquer das candidaturas, fizessem uma escolha e, conscientemente, optassem por projecto – a existir – e um rumo, na esperança que uma destas equipas, que se apresenta a sufrágio, poderá, apesar das inúmeras dificuldades, encerrar este ciclo negativo, e recolocar o Vitória no caminho certo.

O Vitória precisa de um projecto, de um rumo e de uma liderança. Esperemos que quem sair vencedor desta eleições tenha esse projecto, tenha esse rumo e seja capaz de liderar o Clube, solucionando os problemas financeiros e desportivos existentes.

P.S. Naturalmente não poderia deixar de aqui de comentar o último desempenho da equipa de futebol profissional, que infelizmente e por culpa própria, por erros inaceitáveis numa Clube da nossa dimensão, foi copiosamente derrotado pelo nosso arqui-rival Braga. Foi mau de mais assistir a esse jogo. Foi mau de mais ver os nossos erros e incapacidade de construir jogo. Também foi mau de mais ver um vimaranense, que eu julgava vitoriano, festejar efusivamente um golo, numa alegria incontida, e numa indiferença absoluta pela camisola que já envergou.

  Categories: