Pedro Miguel Carvalho – Reflexões

Neste regresso a esta crónica, procurei fazer uma análise do passado recente e procurar uma mudança, um sinal por parte desta Direcção, que permitisse acreditar que o Vitória, apesar da irregularidade no campo desportivo – no que se refere particularmente ao futebol profissional que depois de três vitórias consecutivas após um mau início de campeonato, voltou agora a sofrer uma derrota e um empate onde claramente deveria ter saído vencedor – estava agora a trilhar um novo rumo com um novo modelo de gestão – ou melhor um modelo de gestão porque até agora não existiu um –, uma nova estratégia e de um projecto financeiro e desportivo que definitivamente invertesse os maus resultados dos últimos anos, quer no campo desportivo, quer no campo financeiro.

Porém não encontrei qualquer sinal. Ou pelo menos qualquer sinal positivo. Nem sequer na assembleia geral, nem sequer em qualquer acto de gestão desta Direcção, percebi que finalmente o Vitória Sport Clube tivesse um rumo, antes pelo contrario, os sinais são de absoluta ausência de projecto financeiro e desportivo e de absoluto desnorte.

Para tentar dar uma ideia contraria, a Direcção, através dos seus membros e antes mesmo da realização das Conferências Vitorianas – iniciativa promovida pelo Conselho Vitoriano que saúdo e que deverá ser repetida registando-se a qualidade da mesma –, foi introduzindo o tema das propaladas Sociedades Anónimas Desportivas (SAD), que muitos julgam ser a paneceia para os Clubes Portugueses e futebol profissional. Não sei se efectivamente é, ou pelo menos a realidade ainda não o demonstrou, apesar de crer que a sua constituição será uma inevitabilidade.

Não sou um crítico, mas apenas um céptico, porque ainda não convencido absolutamente sobre as vantagens da constituição de uma SAD, nem que esta seja a única solução para se ter uma gestão profissional do nosso Clube como defendo há muito.

Mas seja a constituição de uma SAD uma solução, ou não, para os Clubes com futebol profissional, o certo é que o problema do Vitória Sport Clube coloca-se a montante e não a jusante, porque neste momento e antes mesmo de podermos abordar esse modelo de gestão como um possibilidade futura, nós temos que saber gerir e resolver os problemas presentes e passados, e só depois de o lograrmos fazer deveremos, de forma séria, discutir essa alternativa de gestão, porque a não ser assim estaremos apenas a tentar tapar o sol com a peneira empurrando, com a “barriga”, os problemas para a frente, votando um qualquer novo modelo ao insucesso.

Ora, o problema é que esta Direcção – tal como as suas três Direcções antecessoras – já demonstrou ser incapaz de resolver os problemas financeiros e desportivos do Clube. E essa incapacidade cada vez mais nos conduz para um beco, o qual poderá não ter saída. É tempo de os Vitorianos começarem a reflectir e, aqueles que se sentirem em condições para o fazer, com respectivos meios humanos e técnicos, devem definitivamente começar a preparar um projecto credível que resgate o Clube e promova a mudança no próximo acto eleitoral.

Santo Natal e Feliz Ano Novo para todos Vitorianos.

Pedro Miguel Carvalho

  Categories: