Pedro Miguel Carvalho – VITÓRIA: Presente ou futuro adiado?

VITÓRIA: Presente ou futuro adiado?

O Vitória vive actualmente um momento difícil na sua história recente. Não tem uma Direcção capaz de inverter os resultados, quer económicos, quer desportivos. Antes pelo contrário, sob esta presidência, ao contrário do que seria de esperar, depois do desastre directivo que foi a Direcção de Vítor Magalhães – de que fez parte é certo o actual presidente da Direcção, Emílio Macedo – o Vitória viu aumentar o buraco financeiro, o insucesso desportivo e o fosso para os seus mais directos concorrentes – excepto para o Boavista e porque este foi despromovido.

A acrescentar a isso há um claro divórcio entre os sócios e a Direcção, mão não felizmente em relação ao Clube, apesar de esse divórcio ter reflexos neste, nomeadamente nas assistências ao jogos da equipa de futebol profissional – para já não falar nas outras modalidades, onde infelizmente o problema aí já é crónico, e não tem como motivo apenas esse divórcio, apesar do ostracismo a que a Direcção votou as outras modalidades, particularmente na formação, onde, não fosse o empenho e dedicação de muitos treinadores e seccionistas, e alguns mecenas, esta formação já simplesmente não existiria.

Foi triste ver o D. Afonso Henrique vazio no jogo contra o Marítimo, é triste ver as assistências decrescerem de jogo para jogo e serem cada vez menos os sócio que acompanham o Clube nas deslocação aos estádios dos nossos adversários.

É triste ver os apupos ao presidente da Direcção do Vitória no final do jogo, manifestação legítima dos sócios, mas infelizmente grosseira nos cânticos e nos adjectivos utilizados. Emílio Macedo vai claramente ficar na história do nosso Clube como um péssimo presidente, mas não merece ver o seu bom nome e honra atacado, vilipendiado.

Triste também e confrangedor, é ler na imprensa que o Vitória não honra os seus compromissos, tem salários em atraso, não pagando aos seus funcionários, treinadores e jogadores.
É terrível que o Vitória assuma compromissos que não pode cumprir, deixando famílias em situação difícil – não são só os jogadores com salários milionários que estão sem receber, mas vários funcionários e treinadores cujo dia a dia depende do seu salário mensal, sem prescindir que também os jogadores têm o direito de ser pagos pontualmente porque mesmo que ganhem muito, ou mais até do que o seu desempenho possa merecer, o certo é que o Clube os contratou e assumiu aqueles salários, sem os condicionar a desempenho ou a objectivos.

Mas terrível é também que a confiança e crença na Direcção tenha desaparecido, para chegar ao ponto dessa realidade – dos salários em atraso – surgir a luz do dia, exposta na imprensa. Se a Direcção tivesse a confiança dos que para o Clube trabalham, estes aguardariam com reserva que o Clube resolvesse o problema. Mas não foi assim.

A acrescentar a isso, conforme eu temia, a Direcção, desesperada e incapaz de resolver os problemas financeiros, precipitadamente pretende enveredar por uma constituição de uma SAD e está decidida, sem capacidade negocial, a alienar os direitos desportivos dos nossos jogadores mais valiosos a Fundos privados, correndo o Vitória o sério risco de ser vendido ou tomado de assalto, a preço de saldo, porque um qualquer agente desportivo ou milionário endinheirado, que não têm qualquer sentimento de pertença ou ligação clubistica ao Clube e a Guimarães.

É nestas altura que os sócios têm que reflectir, decidirem o que querem para o Clube e manifestar-se, exigindo um novo rumo (se essa for a sua opinião) para o Vitória. Mas o local certo para o fazer é a Assembleia Geral. Mas o Presidente da Assembleia Geral, que devia, de forma imparcial e activa, sentir o Clube e perceber que os sócios, que são soberanos, deveriam ser escutados e poder debater, no local próprio, no seio da família vitoriana, o presente e o futuro, teimosamente e comprometidamente com a Direcção não convoca uma Assembleia Geral. Não falo da Assembleia Geral que alguns sócios queriam promover para destituir a Direcção – dessa só sei o que li na imprensa, não conheço os seus concretos fundamentos (para além do pedido de destituição), nem se cumpriram ou não os requisitos formais. Falo de uma Assembleia Geral para discutir não só as contas, mas acima de tudo para discutir, com seriedade, o futuro do Clube. Sei que não é fácil à Mesa da Assembleia Geral gerir o presente, mas é nos momentos difíceis que este têm que dizer presente, que têm de dar a palavra aos sócios, e não procurar silencia-los, procurando dar tempo à Direcção que espera, irrealisticamente, resolver o que não foi capaz de o fazer ao longo de quase dois mandatos.

Pertenci orgulhosamente a uma Mesa da Assembleia Geral que, contra a vontade da Direcção (a qual inclusivamente cortou relações institucionais com a Mesa – porque não soube compreender que o Clube pertencia aos sócios e que os sócios deveriam ser ouvidos –), marcou uma Assembleia Geral dando aos sócios voz, que puderam e souberam manifestar-se, expressando o que no seu entender era melhor para o Vitória, exigindo um novo rumo para o Clube. Não foi nenhum gesto nobre, o nosso, mas apenas soubemos cumprir as funções para as quais tínhamos sido eleitos, respeitando e dando voz a quem pertence o Clube.

Será que esta Mesa da Assembleia Geral, porque foi eleita nas listas que esta Direcção apresentou a sufrágio, não tem a independência e imparcialidade que é exigível ao cargo?? Os próximos dias o dirão!

Pedro Miguel Carvalho
Sócio n.º 9253

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