[QCT] Mensagem de Vasco Rodrigues e Júlio Castro!

Hoje temos Vasco Rodrigues e Júlio Castro.

Forista da AVS e sócio vitoriano, Júlio Castro quer trazer de Oeiras a taça que há tanto tempo procura.

O meu sonho

O meu Vitorianismo começa da forma mais tradicional: o sentir do clube foi-me passado pelo meu Pai. As minhas memórias iniciais sobre o Vitória levam-me aqueles jogos em que entrava no “velhinho” Estádio Municipal, com uma mão dada ao meu pai e com uma bola na outra para jogar com os amigos de ocasião, naquele espaço que ficava entre o último degrau da bancada e a rede que delimitava a pista de tartan.

Num destes domingos sonhei com o equilíbrio da história.

“Também vais ver o Vitória a Lisboa?”, perguntou-me. “Sim, claro! Vamos todos! Até a mamã!”, respondi. “Ao Estádio?”, voltou à carga, em bicos de pé, com um sorriso de orelha a orelha e um brilhozinho nos olhos. “Sim, ao Estádio!”. “E vamos poder cantar e gritar com toda a gente?”. “Claro que sim: «Vitóoooriaaa!!»”, expliquei-lhe como fazemos, sorrindo. “O Vitória vai lá estar?”. “Claro que sim!”. “Então vamos”, decidiu enquanto dançava e saltava com o cachecol nas mãos.

E fomos.

Começou o jogo. Cantámos e gritámos. “Somos muitos!”, exclama extasiado perante aquela onda “preta e branca” que canta, grita e salta. E o Vitória jogava enquanto eu tentava decifrar todos os seus movimentos e sensações. Envergonha-se quando ouve asneiras ao seu lado. Envergonha-se quando dá conta que sorrio enquanto acompanha os cânticos que já conhece de cor e salteado. Assusta-se com o som dos tambores e buzinas. Encolhe-se nos golos, perante o “bruá” da nossa bancada, num misto de emoções que termina com cara de medo e lágrimas assustadas. Indigna-se pela falta de pipocas e coca-cola.

Final do jogo. Festeja com lágrimas nos olhos perante as minhas. “Porque choras?”. “Porque estou feliz”. “Papá, quem está feliz ri, não chora”, … e desarma-me.

“Vamos para ali?”, atira de rajada, apontando para o relvado, onde os Jogadores do Vitória Sport Club mostram a Taça de Portugal na sua mais que merecida “volta olímpica”. “Queres ir para ali?”. “Quero!”. “Não podemos (sorrio). Agora a festa é deles, mas quando chegarmos a Guimarães pedimos-lhes para segurarmos na taça e tirarmos uma fotografia”. “Não podemos ser nós a levar a Taça para Guimarães?”, fico incrédulo com a questão. E insiste, explicando: “Não vês que está muita gente à nossa espera em Guimarães e, como nós chegámos mais cedo, as pessoas podem tirar fotografias com a Taça e vão para a cama mais cedo, que amanhã é dia de escola”. “Não te preocupes com isso, meu Amor, hoje é dia de festa e as pessoas esperarão o que for necessário para poderem ver e tocar na Taça. Que é de todos, dos que vieram e dos que não puderam vir”. Os dois braços no ar, cachecol estendido entre as mão, e gritava mais do que podia: “Campeões, Campeões, nós somos campeões!”. Está feliz, noto.

Começa a ficar impaciente, já viu a Taça, gritou e cantou, mas quer ir para Guimarães, para tirar a desejada foto com a Taça. E deitar-se cedo, que amanhã é dia de escola. Sai em cima dos meus ombros, com o cachecol a rodopiar por cima da sua cabeça, enquanto grita “Vitória! Vitória! Vitória!”.

Explica à mamã o que esta já tinha visto, como foram os golos do Vitória. E pergunta-lhe se “a viagem demora muito?” – e repete a explicação que já me tinha dado. A mamã ri-se, também ela feliz. Faz-lhe uma festa na cabeça. “Mamã, o Vitória para a próxima tem que marcar estes!” – diz-lhe exibindo cinco dedos. “Tantos?”. “Sim, assim saltamos e cantámos mais vezes!”.

Já no dia seguinte, acorda e veste-se para ir para a escola, entusiasmado, com o cachecol ao pescoço. Ao dar-me um beijo de despedida pergunta-me “Amanhã podemos ir ver o Vitória outra vez?”. “Amanhã não, agora só para o ano! Mas se o Vitória lá voltar, nós também vamos”. “Siiiiiiiiiim! Vou contigo”. “Combinado. Mas tens que estudar e tirar boas notas!”. “Sabes, a partir de agora vou gostar tanto do Vitória quanto gosto de ti e da mamã!”

Sorrio. E volto a ter 8 anos.

Alguém me toca no ombro. Desperto. Aponta-me a tribuna e diz-me: “Vão levantar a Taça. Estão lá o Olímpio, o Alex e o Flávio”. Caio em mim, estou com um aperto no coração, olhos molhados, voz rouca e embargada pela emoção. Penso em todos aqueles que gostariam de lá estar, e naqueles com que eu gostaria de estar. Onde quer que estejam, em qualquer parte do mundo, em qualquer parte do céu, gritarão comigo “Vitóooriaaa!”. Tenho a certeza! À altura a que será erguida serão os primeiros a tocar-lhe.

E penso para mim: “Estes miúdos são fantásticos. Podem não ser os melhores do mundo, mas são os que mais gosto no mundo”.
FORÇA VITÓRIA!

1 Abraço
Júlio Vieira de Castro
Sócio 2612 do Vitória Sport Club

Vasco Rodrigues é o primeiro secretário da Assembleia Geral da Associação VitóriaSempre e um dos administradores do vitoriasempre.net.

Chegou o momento…

O momento que tanto ansiamos e que se no início da época nos dissessem que o viveríamos nós, certamente, duvidaríamos… Domingo, uns mais cedo, outros mais tarde, rumarão a Lisboa comungando de um sonho comum: finalmente trazer a Taça de Portugal para Guimarães!

E nesse objectivo, importa que os nossos valentes atletas percebam que não estarão sós em campo, mesmo que nas nossas bancadas não entoemos o famoso You´ll never walk alone..essa ideia, porém, está subentendida em cada momento que no Domingo os nossos atletas viverão… e não se pense que com eles estarão, apenas, o que terão a possibilidade de ir a Oeiras… Não!!O mais redutor dos enganos!!

Com os homens da camisola branca e empunhando o Rei no peito estarão todos aqueles que não tiveram a possibilidade de se deslocar…quem vibra puerilmente por um golo do Vitória, mas que por idade, saúde, ou qualquer outro motivo não o poderá fazer… os emigrantes que lá longe pararão todos os seus afazeres para esperarem pela mais desejada das notícias… os doentes que, certamente, estarão colados a um aparelho de televisão em busca de um golo que sirva de panaceia ou bálsamo para os seus males… os mais velhos, ainda que sanos, que temem partir deste mundo sem ver um dos grandes amores da sua vida, receber reconhecimento pela conquista de um troféu… e, até, os que já partiram – certamente em espírito -, desejando que o que lhes foi negado em vida, suceda agora…

E para isso, urge dar tudo pelo símbolo mais belo de todos…urge entrar em cada lance como se fosse o último..urge erguer a voz dentro do relvado para se demonstrar quem manda…urge deixar a alma e o coração naquele tapete verde para não defraudar esta gente toda que anseia por uma vitória do seu/nosso Vitória… urge nas bancadas cantar bem alto o nome do Conquistador…urge demonstrar que como diz um cântico “ Eu só quero poder-me orgulhar que o Vitória é grande e Guimarães é o meu lugar”… e isso, em nós vitorianos, não sendo um qualquer hit de Gerry & The Pacemakerscomo a música que se canta em Anfield, diz o que somos e o que queremos, ainda que “Onde tu fores eu vou, onde tu fores eu vou, seja a ganhar, seja a perder, só por ti lá estou” e isso é que nos tem distinguido dos demais… se bem que acredite que a este cântico iremos retirar a parte do perder! Desta é que vai ser…Força Vitória..Vence por nós!!!

Falta ainda menos do que aquilo que faltava do inicío deste texto. Estás preparado para apoiar como nunca a tua equipa? Atinge o teu limite e ajuda a equipa a trazer a Taça de Portugal para Guimarães.

Da nossa parte é tudo! FORÇA VITÓRIA!