Ricardo Gonçalves – Ano Novo!

Ricardo-Gonçalves

Janeiro é para o futebol um mês determinante. Marca a metade do caminho nos campeonatos e tem também a importância de ser uma época especial de transferências e reajustes nos plantéis que oferecem aos clubes a possibilidade de se reforçarem nos lugares em que mais necessitem. É verdade que isto funciona tanto melhor quanto as possibilidades negociais de cada um. As nossas, como sabemos estão limitadas por constrangimentos vários a nível financeiro. De qualquer forma é sempre um bom ponto de partida para uma discussão que vejo muitas vezes feita mas, e sou sincero aqui, à qual não consigo e nunca conseguir ter mais do que uma convicção que não me parece absolutamente comprovável. Refiro-me ao contributo dos jogadores emprestados e à verdadeira eficácia que estes possam ter no todo da equipa.

Se parece mais ou menos líquido que o ideal seria só contar com atletas cujo passe fosse integralmente detido pelo Clube (ou SAD), a realidade infelizmente determina que assim não seja possível sempre. E a minha dúvida prende-se com um fator, que é desportivo e não financeiro (ainda que o primeiro determine com grande probabilidade o sucesso do segundo). Se uma equipa tiver um número contido de jogadores emprestados que contribuam para o sucesso e a motivação da equipa como um todo e ajudem a um bom resultado final, parece à partida que isso será bom para todos. Ainda que a valorização dos emprestados em si não vá beneficiar a nossa equipa em proventos diretos, se contribuir para que a valorização global seja maior do que sem o seu contributo, isso configura um cenário positivo. Para ser completamente justo tenho evidentemente de aduzir o argumento contrário que é o de que o jogador que não é do clube estará objetivamente a impedir outros que o são de prestar o seu contributo e de assim também se valorizarem. Não deixa de ser verdade.

É uma questão que provavelmente não terá uma resposta objetiva e definitiva, que não seja uma mera opinião. A minha, como penso que a da generalidade dos adeptos, será claro, a de que, em princípio devemos ser contra a utilização dos empréstimos. Mas sendo uma posição de princípio, admito que, em casos de reconhecida mais-valia (ou de impossibilidade de resolver uma falha numa ou noutra posição que comprometa o rendimento coletivo da equipa) que se faça uso desse expediente. Deixo aqui este assunto mais como uma pista para uma reflexão do que como uma certeza, e estou seguro que muitos me acompanharão nesta dúvida. Até porque há bons exemplos para situações de empréstimos que resultam e outros que nem por isso. Esta época irá com certeza fornecer mais alguns dados para continuarmos a avaliar este assunto.

Regressando à atualidade da Liga, digo-o com a mágoa partilhada de termos perdido uma boa oportunidade de manter ou aumentar a vantagem para alguns contendores diretos no último jogo contra o nosso rival minhoto. A verdade é que continuamos na frente deste, mas perdemos a quinta posição por consequência da derrota. Penso que nos cumpre uma vez mais reagir com alguma frieza a este momento menos bom. Nunca é positivo acrescentar pressão nos momentos menos bons, a pressão é saudável quando é feita pela positiva, e normalmente resulta. Neste momento, o que podemos e devemos fazer. E é o que nos distingue e une, é aumentar ainda mais o apoio à equipa para que supere os próximos confrontos e recupere a estabilidade dos resultados positivos. As vitórias trazem vitórias, e nas derrotas temos de saber apoiar e fazer força para regressar aos triunfos. Há muito ainda para jogar, espero eu e esperamos todos, estou certo, que no final, quando se apurar a contabilidade de mais esta época, os momentos bons superem em muito os menos bons e que o Vitória tenha no campo desportivo a justa recompensa para todos os sacrifícios que tem passado noutras esferas da vida do clube. Todos o merecemos certamente, e mais do que ser justo, é absolutamente necessário que a política desportiva e de gestão que tantos elogios nos tem trazido (e que de certa forma está a fazer escola noutros clubes) seja coroada com sucesso financeiro também. Uma não existe sem a outra. Não há sucesso económico sem sucesso desportivo. É por isso que é determinante a nossa atuação como adeptos e sócios, e o nosso apoio imprescindível.

Com votos renovados de um Ano de 2014, cheio de sucessos pessoais e desportivos,
VIVA O VITÓRIA!!!

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