Ricardo Gonçalves – O dia de hoje

Quem também nos irá expressar a sua opinião é Ricardo Gonçalves.

Ricardo GonçalvesEscrevo este primeiro texto a convite da AVS, que desde já agradeço, e que muito me honra enquanto Vitoriano, poucos minutos depois do final do Lyon – Vitória, que, nos coloca, neste momento a liderar o Grupo H da fase de grupos da Liga Europa. Teria certamente muito a dizer sobre este jogo em particular, mas prefiro salientar o que tem sido para mim o Vitória no último ano e meio.

Não é segredo para ninguém, o percurso difícil que nos trouxe a este momento. Desde a tomada de posse desta Direção e da tomada de consciência das profundas debilidades a vários níveis que a gestão anterior deixou como herança. Disso não falarei agora porque o tempo é de alegria e de festejo e, para ser completamente franco não me apetece associar um presente feliz que, apesar de não isento de muitas e continuadas dificuldades, a momentos e pessoas que francamente não merecem essa partilha.

Depois de uma época perfeitamente inesquecível e que culminou num feito que marcará para sempre a história do nosso clube, a conquista do primeiro troféu nacional de futebol da nossa história, a Taça de Portugal, (que teimava em fugir), vemos que a marca que orientou a equipa na época passada não se perdeu em absoluto. Mais, posso até dizer que se reafirmou. Assim como hoje acabamos de empatar (e quase ganhar) a uma equipa cuja presença é habitual na Liga dos Campeões, e que tem um orçamento quinze (sim, repito, quinze vezes) mais elevado do que o nosso, também nós temos um património que não é financeiramente quantificável: a nossa identidade e o nosso querer. E esse, que é de todos os Vitorianos, vale sempre mais do que o que aparentemente se investe em dinheiro. É bom de ver, basta ver quantas equipas trazem ao D. Afonso Henriques a falange de apoio que o Vitória congregou nas bancadas do Olympique Lyonnais. Poucas certamente, e com uma diferença. É que nós partimos sempre (com o devido louvor às exceções) de Guimarães para apoiar a equipa quando joga fora, não apoiamos a nossa equipa quando joga perto e dá mais jeito.

O facto de se ser adepto do Vitória, é uma marca identitária com um valor absoluto. Somos porque sentimos. Não somos porque ganhamos sempre, ou somos mais em número, ou somos mais ricos, aliás, penso que até somos mais quando é mais preciso (basta lembrar a penosa época da descida). E há um fator que se vê ao longe. Nestes tempos de dificuldades, e não é só o Clube que as passa, a vida das pessoas também não está fácil, tenho assistido a uma das épocas de maior apoio e entreajuda de todos em torno do clube. E esse é também um dos ingredientes para construir o sucesso, seja o de hoje seja o de amanhã. Este princípio de época, com alguns “amargos de boca” e mesmo sentimento de injustiça nalguns resultados, tem-se revelado esclarecedor relativamente não só à valia do plantel mas sobretudo ao seu caracter. Os nossos timoneiros, o Presidente Júlio Mendes e o nosso Mister Rui Vitória, tem tido, cada um nas suas funções, o papel fundamental na correta gestão de todos os nossos ativos. Eu, pela minha parte, continuo a apostar que o principal somos todos nós, que fazemos um conjunto infinitamente maior do que a mera soma das partes individuais. É na nossa força coletiva, é na paixão dos nossos incomparáveis adeptos, é nessa vontade inquebrantável que também essa paixão passa para o relvado, que muitas mais coisas boas nos irão suceder.

É sempre bom quando se pode abordar o Vitória pelo seu lado positivo. Já tive oportunidade no passado de comentar a atualidade do nosso clube, fosse no Fórum Vitória da Radio Santiago e no programa Hora D do Canal Guimarães, e, aqui e ali pela blogosfera, e nem sempre o fiz nos melhores momentos do nosso clube. Tenho assim, como quase todos nós, memória do que tem sido a vida do clube, os seus altos e baixos, e posso afirmar com convicção plena que, apesar do caminho longo que há que percorrer na plena realização da sustentabilidade financeira do Clube, estamos a viver uma das suas melhores horas. Tenho que procurar longe uma altura do clube em que tenha acontecido o que hoje já é uma realidade. E é algo tão simples como isto: acreditar, acreditar que entramos em campo com vontade e possibilidades de ganhar, seja a quem for, seja onde for. Essa crença, essa raça, essa classe, é metade da receita das vitórias. E cabe a cada um de nós fornecer a energia coletiva de que os nossos jogadores se alimentam. Na certeza de que teremos dias de glória e outros menos bons, temos de fazer cada vez mais aquilo que nos torna diferentes. Estar com a equipa sempre. Termino relembrando um momento que para mim, apesar de não acontecer sempre, é certo, (também compreendo que nem sempre há força para tudo), me marcou neste início de época como um farol de luz que nos deve nortear. Na final da Supertaça, com resultado amplamente desfavorável e com a convicção realista da enormidade ou impossibilidade da tarefa de dar a volta ao resultado, transformamos o que se passou no relvado numa vitória do Clube, pela atitude que tivemos nas bancadas. Não imaginam o orgulho com que recebi telefonemas e mensagens a dizer que temos e somos os melhores adeptos do Mundo. Na certeza que a elegância nas horas menos boas e o saber perder, não é aceitar de ânimo leve a derrota, é ter força para o fazer, sabendo que a glória está sempre a um passo. Para análises ao jogo, incidências, o que correu bem, o que poderia ter corrido melhor, não contem comigo hoje. Estou mais uma vez infinitamente orgulhoso do que todos fizemos, certo de que o voltaremos a fazer uma e outra vez, por esta paixão inexplicável que nos une e nos torna mais fortes.

A todos um grande Abraço e,

VIVA O VITÓRIA!!!

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