Ricardo Gonçalves – SÉRIE NEGRA

Ricardo-Gonçalves

Como adepto de futebol em geral, e muito particularmente como adepto do nosso Vitória, o meu (e o de todos certamente) desejo seria o de que o futebol que vemos praticado fosse sempre o melhor e que ao nosso clube não faltasse nunca o material de base para que assim acontecesse.

Não tenho, nem me parece que ajude muito, por forma de pensar, o hábito de encontrar justificação para tudo o que de menos bom acontece à nossa volta. Pelo contrário, há sempre que arregaçar as mangas e encontrar forma de “dar a volta” ao que não acontece conforme o que é o nosso gosto. No que importa de facto, claro. Há porém situações em que só a nossa vontade não parece chegar. O futebol é claramente um universo onde o aleatório, o imprevisível, e muitas vezes fatores mais palpáveis mas igualmente difíceis de controlar imperam.

Tenho acompanhado, como estou certo, todos o temos feito as reações aos últimos resultados da nossa equipa. Sendo certo que posso entender a frustração, o desânimo, e mesmo muitas vezes alguma revolta por parte dos adeptos. Ninguém é imune aos efeitos de sete jogos sem ganhar. No entanto, e apesar disso, continuo a assistir a provas de confiança e esperança por parte de muitos, quer no comando técnico da equipa, quer nos jogadores. Sei bem que o que muitas vezes apetece, e há que dizê-lo, a maior parte das reações mais extremadas a esta “série negra” de resultados é tomada a quente, no final dos desafios, quando os níveis de frustração e desencanto estão no máximo. Por isso mesmo, tenho por hábito não escrever nada nessas alturas (ou pelo menos não o publicar). Faço-o, porque invariavelmente, um ou dois dias depois, dou por mim a pensar de forma diferente.

O futebol, e é essa a sua grande capacidade, para o bem e para o mal, é um território de emoções, e é na gestão desse património emocional que muitas vezes encontramos as soluções para os problemas do momento. É fácil de ver a diferença entre um ambiente de apoio incondicional e outro de desalento e descrença.

É neste últimos dois terrenos (desalento e descrença) que não nos podemos permitir cair. Podemos e devemos criticar e ajudar com pressão positiva a que a motivação e o empenho não desçam de nível, é essa a nossa principal função e força enquanto adeptos. Devemos no limite exigir as mudanças necessárias, e muitas vezes isso tem funcionado.

No entanto, sem deixar de exigir nada a ninguém, todos temos as nossas responsabilidades e não podemos fugir-lhes, e é também verdade que o apoio massivo tem faltado ultimamente. As razões para essa eventual falta de apoio nem sempre estão diretamente ligadas à carreira do clube, bem o sabemos. O ambiente económico geral não ajuda ninguém, infelizmente.

Agora o que não me podem pedir, nem o saberia eu dar, era uma posição derrotista ou de menor apoio. Os resultados desportivos desta época não são os mais entusiasmantes. Certo. Ninguém o negará, ainda por cima depois desse momento apoteótico que foi a conquista da Taça de Portugal tudo parece saber a pouco em comparação. Mas, e sem fazer apelo a grande esforço de memória, lembro-me, mais vezes do que queria é certo, que o nosso clube esteve há bem pouco tempo em sérios riscos de ver a sua continuidade comprometida. O estado em que o Vitória, há bem pouco tempo se encontrava, económica e financeiramente, não é alheio às escolhas condicionadas no que diz respeito à valia da equipa.

Não gostei do último jogo, mas creio que menos do que eu terão gostado os jogadores e o técnico. Estava e estou absolutamente convencido que a carreira da equipa nesta época não chega onde pretendíamos por pequenos detalhes. Em seis jogos anteriores perdemos apenas pela margem mínima de um golo. Na maior parte deles jogamos razoavelmente bem e a equipa parecia querer dar boas indicações. O facto é que nos calhou um Estoril a fazer um grande campeonato na pior altura. Na altura em que mais precisávamos de uma vitória para inverter o sentido deste caminho, e sabemos quanto essas vitórias nestas alturas são preciosas.

Enfim, há no entanto que relativizar. No ano do maior investimento até à altura, no plantel de futebol profissional descemos de divisão. Em anos de contenção financeira absolutamente incomparável ganhamos uma Taça e apesar da realidade andar ao arrepio do que é nosso desejo, estamos tranquilos quanto a descidas e outros pesadelos.

Como em tudo na vida, há sempre espaço para sonhar, só que por vezes, o que nos resta é mesmo aguentar. E não tenhamos dúvidas, desta adversidade que temos vivido, só temos um caminho e um rumo que é sair mais fortes, mais coesos e mais Vitorianos. Tudo o resto, na minha modesta opinião, são legítimas queixas de quem não gosta de perder, mas não nos aproveita muito no presente.

Dito isto, eu por cá continuarei a acreditar, que nisso sei que não estou só, e com a firme e inabalável convicção que tudo vai melhorar,

Um Grande Abraço e Viva o Vitória!!!

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