[SAD] Opinião de Carlos Ribeiro!

Hoje, o nosso convidado a expor os seus motivos acerca da SAD será, Carlos Ribeiro, autor do blog OVIMARANES e a voz dos golos do Vitória e do programa desportivo Contra-Ataque da Rádio Fundação.

Opinião de Carlos Ribeiro

A sede da SAD ou a SAD para matar a sede

Haverá no futebol português quem não seja capaz de entender o porquê de uma discussão em torno de uma criação de uma sociedade anónima desportiva hoje em dia. Mas serão os mesmos que não serão capazes de entender a forma diferente como vivemos o nosso clube. É talvez a única coisa que ainda não nos retiraram ao longo de tantos anos de gestão incompetente e danosa que nos atirou para onde estamos hoje.

Confesso que nunca me considerei nem um apoiante inequívoco do modelo actual, nem um opositor acérrimo de um modelo que tenha por base uma sociedade anónima desportiva. Aprendi apenas a gostar do meu clube e a desejar que o seu modelo de gestão estivesse ao nível daquilo que acho ser merecedor da massa associativa que tem.

Do ponto de vista utópico, não há como não desejar que o clube seja detido apenas pelos seus associados e que, acoplado a isso, surgisse o sucesso desportivo e financeiro que ambicionamos. Infelizmente, o Vitória que temos hoje é diferente do Vitória que gostaríamos. É um Vitória que permitimos que definhasse, que permitimos que destruíssem, mesmo que tudo tenha acontecido perante os nossos olhos e perante uma passividade que nos coloca hoje entre a utopia e a realidade.

E o que a realidade infelizmente nos diz é que as soluções nesta altura são escassas e talvez tenhamos de encarar a criação de uma SAD como o único caminho. Não para salvação financeira do clube, mas antes mesmo para a sua sobrevivência. A herança pesada deixa o clube sem grande margem de manobra para subsistir de outra
maneira. Era o que desejava? Não. Entendo que todas as decisões que tenham um peso tão determinante sobre o futuro de um clube, nunca devem ser tomadas no limite. Nunca deveriam ser tomadas sem uma ampla discussão que junte ideias várias e consensos generalizados. A opção não foi essa. Não só porque provavelmente a realidade apressou as decisões a tomar, como talvez a legitimidade dada pelas eleições permitiu que se passasse por cima de uma discussão que julgaria importante.

A situação do clube é grave, e isso ficará ainda mais claro na próxima assembleia geral. Temo que nesta altura a criação da SAD seja o único caminho para continuarmos mais do que a ter vitórias, a termos Vitória. E eu, que sempre contestei
os discursos demasiado catastróficos para justificar esta ou aquela decisão, vejo-me obrigado a dizê-lo.

Porém, em todas as decisões tomadas em momentos críticos, em que praticamente somos encostados à parede, há um risco claro que se corre e que gostaria de ver evitado. Apesar de entender que a criação de uma sociedade anónima desportiva pode ser o único caminho para a sobrevivência, e repito e não para a salvação financeira imediata, creio que é fundamental que os vitorianos sejam diligentes o suficiente para evitarem que se aprove uma qualquer SAD e, mais do que isso, que a a direcção vitoriana saiba ouvir os contributos dos associados de modo a que a SAD criada possa ser aquela que melhor defende os interesses do Vitória e daqueles que no fundo são a grande base deste clube, os seus associados. A bola estará agora do lado da direcção do clube, da qual esperamos explicações cabais sobre as nossas dúvidas e os nossos medos. Porque o Vitória é isto. Paixão e emoção. Com SAD ou sem SAD.

Carlos Ribeiro

A Associação VitóriaSempre quer agradecer assim toda a disponibilidade demonstrada pelo Carlos Ribeiro.