[SAD] Opinião de Francisco Rodrigues!

Hoje teremos connosco o sócio 2283 para dar a sua opinião sobre a SAD. Não perca mais tempo e leia mais uma opinião de um grande vitoriano!

Opinião de Francisco Rodrigues

Vitória SAD, uma inevitabilidade ou o culminar de uma estratégia?

No início do Outono de 1997, há quinze anos portanto, e baseado numa suposta inevitabilidade legal, o então presidente do Vitória Sport Club (VSC), António Pimenta Machado, apresentou pela primeira vez numa Assembleia Geral (AG) uma proposta de criação de uma Sociedade Anónima Desportiva (SAD) a partir do departamento de futebol do VSC. O principal argumento foi facilmente rebatido e, sem margem para insistir nesse caminho, a proposta foi retirada. O que se alterou de então até aos dias de hoje?

Fruto de um número sem fim de atropelos de gestão, negócios que aparentam ser fraudulentos mas que, com toda a certeza, foram ruinosos para o clube, e cujos autores saíram da direção do clube sem prestarem as devidas contas aos sócios, e muito menos à justiça, foi criada uma situação caótica que serve agora de argumento, aquele argumento que faltou em 1997, para que novamente seja apresentada como inevitável, e mesmo fulcral para a sobrevivência do VSC no panorama do futebol nacional. No entanto, se lermos atentamente os sucessivos pareceres dos consecutivos Conselhos Fiscais aquando da apresentação do relatório e contas em cada ano, deparamo-nos com uma insistente referência à criação da SAD como algo desejável!

Ao longo dos últimos cinco a seis anos repetiram-se sessões, encontros, jornadas e outros eventos para discutir repetidamente a criação da Vitória SAD, sempre com um número de palestrantes cuja tendência era inevitavelmente favorável à sua criação. Contra, e para não cair em erro dizendo que não aparecia nenhuma voz convidada, poucas foram as personalidades que se afirmaram, mas inevitavelmente com o acréscimo de um “mas…” que desenganava a sinceridade com que a afirmação contra era feita.

As últimas eleições foram uma perfeita armadilha! Por um lado um candidato que se encarregou de se descredibilizar a si próprio, por outro um opositor cuja bandeira principal era a criação da SAD e que, não por mero acaso, foi vice-presidente num período em que o número de negócios efetuados na venda de jogadores bateu todos os maiores records do clube mas que, infelizmente, coincidiu com o maior desbaratamento de capital financeiro do mesmo. Acabou por ser este o escolhido e depois de falhar uma das promessas eleitorais (onde param os três milhões prometidos?) arrumou a casa, segundo as suas palavras, e quando se prepara para apresentar as contas, atropelou os estatutos com a conivência do Presidente da AG, para, compreende-se agora, “espetar a faca no buxo” dos vitorianos, mostrando-lhes a bela obra financeira do seu antecessor (que beneficiou em largo tempo com a sua conivência, lembre-se) e mostrar de imediato a porta do paraíso, a SAD redentora!

Por falar no senhor Presidente da AG, este alegadamente afirmou que os “detratores” das SAD só sabem falar em meus exemplos de SAD! Mas, pergunto eu, qual é o bom exemplo de SAD em Portugal? Benfica? Porto? Sporting? Só para quem anda distraído, pois quem presta atenção sabe que estes só ainda não fecharam portas porque têm a banca a segurá-los! Será que estava a falar de Leiria, Boavista, Farense, Alverca? Não com certeza! Do Belenenses, Beira Mar, Nacional, Marítimo, Vitória de Setúbal, Estoril, Leixões, Naval, Santa Clara ou União da Madeira? Que ganhos desportivos tiveram estes? Ah, não me digam que está a falar do Braga SAD… Talvez não saiba, ou se tenha esquecido, que os principais responsáveis pelo “sucesso” dessa SAD, para além da Câmara de Braga, foi a anterior direção do nosso Vitória, e em consequência a administração da SAD do Porto! Por outro lado garante que a contagem dos votos será feita de forma séria… garante como? Da mesma forma que permitiu o atropelo aos estatutos relativamente à apresentação das contas? Claro que o voto secreto e em urna aberta durante um período alargado é o mínimo exigido! Mas porque não adotar o procedimento igual ao das eleições, com cadernos discriminativos de associados com direito a voto e controlo por sócios pró e contra SAD? E porque não abrir um período de discussão no próprio clube? Espero que não esteja a confundir o resultados das eleições com os resultados da decisão que vai ser tomada!

Quanto ao Sr. Presidente da direção, falta saber se está preparado para cumprir o seu mandato seja qual for a escolha dos associados! Na minha opinião, se escolhermos a criação da SAD estaremos a escolher a venda da “Alma” para a salvação do corpo! Alguém duvida de que o futebol profissional é a “Alma” do Vitória? Já li de alguns que vão esquecer o coração! Como? Eu sou do Vitória pelo e com o coração, e sem o coração essa ligação não existe! Depois, outros dizem que a SAD é modernidade e quem é contra vive no passado! Que quer dizer isso? Não entendo! Será que querem dizer que aquele povo e aquela cidade que reconstruíram, em dois ou três dias, uma praça de touros que tinha ficado reduzida a cinzas, já não existe? Afinal somos únicos ou éramos únicos?

Mas vamos partir do princípio de que a SAD é aprovada. Há, neste caso, alguns pontos que devem ser esclarecidos e que fazem parte da proposta de estatutos apresentada pela direção!

Desde logo, porquê um milhão de capital social quando há quinze anos era de três milhões? Como a participação do VSC será de 40%, valor inferior ao do passe do Toscano (ver relatório e contas), o que acontecerá ao valor dos outros 43 jogadores profissionais? Ou será que, convenientemente, cada jogador será valorizado com 10 mil euros? Para além disso, no artigo 23º refere que “A SAD poderá estender a sua atividade às camadas de formação do Clube Fundador, na área do futebol, nos termos que forem permitidos por lei…” e a pergunta é: a que preço?

O artigo 27º, aumento de capital, refere que os acionista não terão direito de preferência no aumento de capital previsto para o primeiro ano de vida da SAD, para além de que, na alínea a), afirma que “o capital social poderá ser elevado até trinta e sete milhões e quinhentos mil euros, limitado às subscrições recolhidas”! Porquê? Há alguma agenda escondida e já existe um destinatário para o grosso das ações? E já agora, se é para ir até este valor porque inicia só com um milhão?

Na alínea e) do mesmo artigo refere ainda que “as ações da categoria A serão liberadas mediante conversão em capital, a tanto por tanto, de créditos por suprimentos de que a Sociedade for devedora perante o Clube Fundador”! E como vai ser se não existirem esses créditos? Em que mãos vai cair a SAD?

Será que os associados do Vitória já perceberam que para terem direito a um voto terão que adquirir 50 ações de 5€ (250€), isto depois de terem sido convidados a emprestar 50€ ao clube e tendo-se verificado uma pequeníssima adesão, certamente por impossibilidade financeira!

Lembro que decisões como aquelas que foram votadas negativamente e que se prendiam, por exemplo, com um bilhete de dez euros para assistir aos jogos com Benfica, Porto e Sporting, jamais serão colocadas aos associados do VSC mas sim aos acionistas da SAD! E estes querem lucro e não estarão preocupados sobre o que pensam ou deixam de pensar os sócios!

Finalmente, a SAD é anunciada como a salvação! E se não for? Quem garante que as rendas prometidas e que servirão para resolver o passivo do Vitória Sport Club, chegarão aos cofres do clube? Muito sinceramente, duvido! Mas espero estar enganado, desta vez!

Francisco A. Rodrigues

A Associação Vitória Sempre quer desde já, agradecer ao Francisco Rodrigues, toda a disponibilidade demonstrada.

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