[SAD] Opinião de Marco Freitas!

 Para fechar o dia temos Marco Freitas. Um forista muito conceituado do nosso fórum.

Opinião de Marco Freitas!

Aproximam-se dia após dia, os dois dias (passe a redundância) mais importantes da história recente do Vitória. Não os mais felizes, nem os que serão relatados a ouro nos livros e memória futura. Mas os mais decisivos dias, os que contribuirão para sabermos se o Vitória, nascido em 1922, prolonga ou não a sua existência por, desejámos todos, muitos mais anos.

É este o contexto em que estamos inseridos. Um contexto selvagem e hostil, uma luta pela vida. E foi neste momento em que acedi a partilhar publicamente a minha opinião, não com o objectivo ou presunção de clarificar ou convencer alguém a uma tomada de posição, mas para podermos juntos, reflectir num assunto crucial.

A situação financeira do Vitória, calamitosa e assustadora, é sobejamente conhecida. As opções imediatas também. Não irei alongar-me além destas, não irei para lirismos e utopias. E serei franco.

Na minha modesta opinião, o Vitória Sport Club nunca deveria ser uma SAD. O Vitória Sport Club é um clube que nasce numa cidade de guerreiros, pela mão de uns quantos jovens sonhadores, que se lançaram à época num grande aventura. Os anos foram passando, atletas, campos de jogo e dirigentes mudaram múltiplas vezes e a consolidação do clube fez-se, nunca à boleia do património material que se veio a construir e adquirir ou daqueles que esporadicamente serviram o clube.

O Vitória Sport Club tem por base o seu património humano, os seus indefectíveis sócios que nunca deixaram de se manifestar em todos os momentos e decisões tomadas que e que fazem da instituição, uma das maiores colectividades desportivas do país. Este clube, pertence-lhes. E sempre deveria pertencer.

Nos dias de hoje,em muito pouco se alterou a minha opinião. Contudo ela hoje tornou-se quase romântica, pois existe um facto que é, para mim, absoluto, nesta encruzilhada: nos moldes em que o Vitória está, a insolvência será absolutamente inevitável.

Assim, apresentam-nos a SAD como uma solução, que não o é totalmente. A SAD, garantirá à priori que durante mais uns meses, anos (??), veremos entrar em campo onze atletas vestidos de branco na liga portuguesa de futebol. No futuro, ver-se-à se pode garantir algo mais. Este cenário é dramático e a solução apresentada, que não é o é totalmente, sendo mais uma resposta de emergência, única, à situação actual, está blindada com um enorme carimbo “No turning back”.

No entanto e para aqueles que defendem que o Vitória SAD não será o seu Vitória, um novo Vitória também não o será e este Vitória padece de uma doença incurável.

Situo-me assim, neste momento no que refere a esta questão essencial: voto “sim”, com alguma dor e peso no peito com algum receio no futuro e eternas sombras a rondarem; voto “não” e assisto de cabeça erguida e cachecol ao peito à queda de um gigante.

Não há nada de bom, de equilibrado, muito menos de justo, em sermos forçados a tomar tanta responsabilidade, principalmente pelas circunstâncias que sabemos. É a triste realidade, no entanto, e uma oportunidade, talvez a última, de tomarmos as rédeas e decidirmos o futuro do nosso clube, com toda a autonomia e propriedade.

Para mim, há uma e uma só coisa a fazer. Se o avanço para a SAD for concretizado, terá de o ser nos moldes que os associados considerem mais adequados, com as garantias que os associados exigirem e as certezas que os associados necessitem.

Não entrando na orgânica e discussão técnica do assunto SAD, o fundamental a dizer é que o Vitória Sport Club terá de ser sempre e para sempre, o principal detentor de poder decisão na mesma.

Por isso, apelo a todos os associados que se levantem dos sofás, desliguem os pc’s e vão pavilhão exercer os direitos inerentes à condição de principais decisores do Vitória Sport Club.

O Vitória é nosso e nós somos orgulhosamente do Vitória. E tudo o que é património material e imaterial do Vitória, deve continuar a ser do Vitória.

E isto, também está nas nossas mãos.

Todos os fins-de-semana, levantámo-nos, colocámos um cachecol ao pescoço e vamos, faça chuva, neve ou sol para o D. Afonso Henriques.

Este fim-de-semana, devemos todos fazer o mesmo, mas ruma ao pavilhão do nosso clube.

O Vitória é um grande amor, uma enorme e eterna paixão e até falta de razão às vezes.

Comparecer a estas assembleias-gerais é mais um modo de demonstrar o que sentimos.

 

Cumprimentos vitorianos,

Marco Freitas

A Assosciação VitóriaSempre quer desta forma agradecer toda a disponibilidade demonstrada pelo Marco Freitas!