[SAD] Opinião de Marco Talina!

Mais uma opinião, desta vez do sócio número 6401. Esta rubrica está perto do fim,  mas ainda tem muito para dizer! Esteja atento ás próximas opiniões!

Opinião de Marco Talina

ERA UMA VEZ UM CLUBE…

Como muitas histórias de ficção, será que vamos começar por aqui, quando daqui por uns tempos (curtos) quisermos começar a contar a Historia do VSC, caso uma SAD minoritária seja aprovada no nosso clube?
Não, não sou um pessimista, nem sequer sou um qualquer arrepiante lunático, que não quer a salvação do VSC.
Quero tanto a salvação do VSC como quero viver.
Não, não acredito

que a solução apresentada por esta direcção seja o único caminho.
Aliás, acho que, se formos por esse caminho, iremos de certeza, escrever o capítulo final deste clube, tal como o conhecemos.
E porque não, uma SAD minoritária para o futebol do VSC?
Começo por responder com uma pergunta: Qual a razão apresentada, para que a SAD seja constituída desta forma (minoritariamente)? O clube não tem meios financeiros para, no imediato, fazer face ao seu passivo, logo, pretendesse: a blindagem do futebol do clube, da insolvência possível e iminente por parte dos credores e a abertura da subscrição de capital, aos sócios do VSC clube e a investidores externos ao clube.
Vamos por partes, não sendo adepto desta modalidade de gestão, concordo com uma SAD, como forma de nos proteger de um pedido de insolvência. Segundo o Protocolo que vai ser apresentado juntamente com a proposta de criação da SAD, que tive oportunidade de ver, as únicas coisas que não passariam para a SAD seriam: “Os Afonsinhos” (futebol formação ate aos 12 anos), as modalidades amadoras, os terrenos das piscinas, o pavilhão e 15% da quotização dos associados. Tudo o resto seria passado para a SAD e ficaria blindado de qualquer pedido de insolvência por parte de credores. Até aqui, concordo. O clube deve pagar todas as suas dívidas mas devemos também criar as condições para tal e protegermo-nos de situações que nos possam causar dissabores maiores.
No imediato, a constituição de uma SAD propiciar-nos-ia tudo isto. Seria imediato.
A segunda razão já me deixa muitas dúvidas e me leva a rejeitar categoricamente a constituição, neste momento, de uma SAD aberta na sua maioria a capital externo.
Porquê?
Porque nesta primeira fase, devemos também deter a maioria na SAD. Se nesta primeira fase vamos tentar realizar um capital irrisório (face ao que valemos e ao que precisamos), não consigo perceber o motivo que leva esta direcção a querer já, que investidores externos ao clube possam ficar com a maioria da SAD. Corremos o risco de vender a maioria do capital, a investidores externos ao clube e pela enorme quantia de 600.000€ (para os mais desatentos, comparem este valor com a dívida do clube = 23.000.000€)!! 
Poderão contrapor dizendo “mas os sócios terão preferência na aquisição e só o capital não subscrito por eles será posto no mercado, para investidores externos”. Mas vamos correr este risco? Terão os sócios do clube, poder económico para subscrever esta percentagem de capital? Talvez… mas quando o aumento de capital se der, duvido que consigam acompanhar e logo o grosso do capital irá passar para mãos externas ao clube.
Este assunto (SAD), não pode ser tratado com esta ligeireza, superficialidade e com esta nevoa de incerteza com que no-lo apresentam. Se por um lado, a SAD protege o futebol do clube da possível insolvência, por outro não pode esta premissa, levar-nos a tomar uma decisão em cima do joelho e decidir algo que no futuro nos arrependeremos.
Portanto, o capital a realizar pela SAD não resolve nada, no imediato, pelo que será contra procedente e um risco exagerado, abrir já a maioria do capital a investimento externo. E se se entende que um investidor externo, só será seduzido com muito capital, também sabemos que terá de pagar muito mais. Então por que carga de água quererá esta direcção abrir já mão da maioria da SAD?? Sabendo que num futuro não muito longínquo (um ano, para aumento de capital) poderemos todos, sócios do VSC clube, ser mais cabalmente informados do que se pretende, se há investidores interessados, quem são, o que se dispõe a pagar, quais as contrapartidas exigidas… e podermos decidir com muitos mais fundamentos, se vendemos a maioria da participação do capital a “estrangeiros” ou não. Todo este cenário de “ou isto, ou o fim” dá o direito de especular de quais serão as reais razões para esta direcção nos estar a confrontar com este ultimato.
Soluções financeiras para o imediato? Vender activos. Não foi recebida proposta pelo Soudani, por montante 3 ou 4 vezes superior ao valor da dívida ao seu clube de origem? Não existem propostas para outros activos (jogadores)? Bem sei que corremos o risco de diminuir (ainda mais) a qualidade da equipa de futebol, mas não estamos já preparados há muito para as tenebrosas épocas que infelizmente nos esperam? Bem sei que poderemos ter que vender por valores bem abaixo do justo, mas precisamos de dinheiro… E as receitas ordinárias que estavam no orçamento 2012/2013, não se realizarão?
Eu espero dizer, no próximo domingo: Era uma vez uma SAD minoritária… ola Vitoria!Abraço,

Marco Talina

A Associação VitóriaSempre quer agradecer toda a disponibilidade demonstrada por Marco Talin.