[SAD] Opinião de Micael Almeida!

Opinião de Micael Almeida

O papão “SAD” ou a solução para a doença que os bichos causaram?

O momento actual do Vitória Sport Clube é demasiado sério e crítico. Todos o reconhecem. A gestão da anterior direcção do clube foi irresponsável, desastrosa, danosa, criminosa e demasiado amadora. Contas feitas de cabeça, qual merceeiro, refletiram-se num prejuízo de mais de 8 milhões de euros no último exercício! O relatório e contas, bem como o respectivo parecer do Conselho fiscal, é claro: “ Não fossem os excedentes de revalorização de

32,435 milhões de euros, oriundos de processos de reavaliações de ativos (e

que hoje, face à situação imobiliária existente nos parecem desajustados), o

Clube estaria hoje com capitais próprios fortemente negativos e, portanto, em

falência técnica acentuada. Sendo os nossos passivos fortemente líquidos e os

nossos ativos assentes em bens de pouca materialidade financeira, a

solvabilidade do clube apresenta uma forte degradação que, a nosso ver, a

manterem-se as condições atuais, torna a gestão do clube insustentável

mesmo no quadro de aprovação do PEC.” Em suma, a situação do clube é assustadora e irreversível, mantendo-se o actual modelo de gestão.

Como todos sabemos, a criação de uma SAD “para a gestão do futebol profissional do clube” fez parte do programa eleitoral da direcção de Júlio Mendes. Foi um dos 5 pontos mencionados no projecto financeiro. As outras medidas propostas foram a “renegociação do passivo com a banca, o fisco e a segurança social”, a “racionalização de custos de financiamento”, a “implementação de ferramentas úteis para o controlo da gestão e execução orçamental” e “reconhecer o planeamento estratégico como instrumento vital para o engrandecimento do clube”. Creio que o trabalho do elenco directivo tem sido, no mínimo, razoável. Penso que os dirigentes do Vitória merecem crédito, respeito e confiança. A SAD não é um coelho saído da cartola. É uma proposta ponderada, responsável e que se coaduna com o modernismo do fenómeno do futebol actual.

Eu defendo a SAD como modelo de gestão do futebol profissional há bastante tempo. Tomaria essa opção, por convicção. Depois de ouvir o presidente e de ler o parecer do Conselho Fiscal, não tenho dúvidas: mais que a convicção, é a necessidade que terá de imperar. Sem SAD, ninguém investirá no Vitória. Sem investimentos externos, o Vitória fechas as portas. Ponto assente. Costuma-me ler algumas opiniões de alguns vitorianos. Sei bem que o legado de Macedo da Silva nos deixou a todos aterrorizados, perplexos e chocados com a leviandade, a irresponsabilidade e até, a ingratidão do referido sujeito. Mas tal não justifica o desvario de se equacionar o fim do clube apenas porque se é contra a SAD…

Não podemos continuar a viver sob o signo de dogmas, frases soltas e chavões. Dizer que o “Vitória é nosso”, o “Vitória nunca morrerá” e continuar a assobiar para o lado, levará o clube à inevitável insolvência. O Vitória, neste momento não é nosso. É dos credores. Está nas mãos dos mesmos. Somos minoritários perante a banca, o Estado e a Segurança Social. Se o Vitória é nosso, como é que permitimos que o clube chegasse a esta situação calamitosa? Se o clube fosse meu, não teria permitido tamanho endividamento e um aumento de passivo para os astronómicos 23 milhões, quando, em 2007, o mesmo se situava nos 8 milhões de euros… De que é que nos serviu exortar essas frases? Títulos? Gestão profissional? Participação activa nas decisões? Não. Serviu para distrairmo-nos, ao passo que um criminoso triplicava o passivo, fazia-nos passar por humilhações, desprestigiando a instituição e descaracterizando a mesma. A descaracterização que alguns temem que o VSC perca, não acontecerá por causa de uma SAD. Essa já aconteceu, meus caros. Quando, por exemplo, no Jamor, centenas de vitorianos abandonavam a equipa muito antes da partida ter terminado…

Uma pessoa com cancro, não pede a eutanásia. Sujeita-se a tratamentos, a quimioterapia. O Vitória não morrerá de joelhos, irá se erguer, firme e convicto, com os pés bem assentes na terra. Equacionar-se o fim do Vitória é como a minha mãe estar doente e eu deixa-la morrer porque poderia ter uma mãe adoptiva. Por mim, essa possibilidade não passa de isso mesmo. Uma possibilidade. Que não equaciono, que não aceito, que abomino liminarmente.

A direcção não baixará os braços. A solução será apresentada, no próximo Domingo, em AG. No dia anterior, os associados poderão ver  as suas dúvidas dissipadas. As cartas serão colocadas na mesa. A jogada, poderá ser a última. A decisão é dos sócios. Ou assistem e deixam o jogo continuar, ou fazem renúncia…

 Micael Almeida, sócio nº 7963 do VSC

A Associação VitóriaSempre quer desde já agradecer toda a disponibilidade demonstrada pelo Micael Almeida.