[SUPERTAÇA] Antevisão – FC Porto x Vitória

logo-fcp-vsc

O dia de amanhã constituir-se-á como mais um marco histórico na longa epopeia que são os 90 anos de existência do Vitória Sport Clube. Os Conquistadores disputam mais um troféu, o segundo no espaço de pouco mais de dois meses. Esperemos que o dia 10 de agosto de 2013 se consagre numa página de história gravada a letras de ouro com a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira, único troféu no palmarés do clube até à recente conquista da Taça de Portugal.

O ADVERSÁRIO

O FC Porto é o que separa o Vitória da conquista da Supertaça. Nesta derradeira disputa pela conquista do troféu o Vitória medirá forças com o atual tri-campeão nacional e crónico detentor deste troféu – para além de ter vencido as últimas 5 edições, o Porto contabiliza mais vitórias na Supertaça que todos os outros clubes em conjunto. Em 34 edições da Supertaça os azuis e brancos saíram como vencedores por 19 vezes. Apesar de tudo o Vitória foi um dos que já tombou o conjunto da Invicta em 1988 e procurará repetir a façanha amanhã em Aveiro.

Com um plantel dotado de muitas e boas soluções (a dispensa do “nosso” craque Tiago Rodrigues – que aparentemente estará de regresso – fala por si) e alicerçado nas nóveis e marcantes mudanças inerentes à chegada de um novo técnico ansioso por mostrar serviço, este FC Porto não se afigurará tarefa fácil para os pupilos de Rui Vitória.

Estas alterações refletiram-se de forma mais visível na própria estrutura da equipa, por exemplo. Paulo Fonseca inverteu um triângulo que já se mantinha intacto há várias gerações de treinadores. Este FC Porto aposta agora num 2×1 a meio campo, que passa a contemplar um duplo-pivôt e um nº10.

Dentro desta organização porém todos têm comportamentos e dinâmicas diferentes. O “polvo” Fernando é o patrão da equipa no miolo, um pouco à imagem de Leonel Olímpio no Vitória, embora a passada larga do portista permita dar mais amplitude às suas ações. O segundo pivôt está encarregue do transporte de bola e da ligação defesa-ataque, à luz do que fazia João Moutinho. Por fim o nº10 da equipa limita a sua ação ao último terço do terreno, procurando o espaço entre linhas e simplificando os processos ao jogar a um e dois toques, servindo-se da sua capacidade de decisão para criar oportunidades de golo.

Para todas estas posições o Porto tem um plantel dotado de muitas e boas soluções. Fernando, Defour e Lucho González devem constituir o trio titular para o jogo de amanhã, sempre com Herrera e Quintero à espreita.

De resto o Porto mantém intactos os princípios de jogo que já lhe são caraterísticos: construção de jogo em organização ofensiva, o que lhe confere superioridade nos níveis de posse de bola. Bloco defensivo subido, laterais a dar largura e pressão imediata sobre o portador da bola.

O VITÓRIA

Os Branquinhos partem para este jogo com uma formação renovada em relação àquela que desfeiteou o Benfica no Jamor no último jogo oficial do clube. A mesma juventude, a mesma garra, o mesmo espírito de conquista.

Tal como há 25 anos atrás, é atribuído favoritismo total ao adversário… o Vitória é completamente desvalorizado e segundo alguma imprensa nacional o dia de amanhã não passará de uma mera formalidade para o emblema do Dragão… Esperemos que toda a raiva e frustração que estas provocações podem causar sejam canalizadas para aumentar os índices motivacionais dos jogadores e a sede em voltar a sentir a glória do dia 26 de maio de 2013!

Em termos táticos espera-se um Vitória a encaixar no adversário, tentando impedir as iniciativas daquele que tem a total responsabilidade de assumir o jogo. Esta estratégia de contenção procurará simultaneamente explorar os espaços concedidos por um Porto que ainda não aperfeiçoou totalmente as suas mecânicas defensivas, como é prova a primeira parte do encontro ante o Galatasaray.

Na baliza é importante um Douglas concentrado e seguro (como é seu timbre, aliás) para transmitir confiança ao resto da equipa, principalmente a jovem defesa Vitoriana. Os internacionais sub-21 Paulo Oliveira e Josué farão dupla no eixo defensivo, com Pedro Correia e Addy a completarem as laterais. É importante que estes dois jogadores mantenham a concentração  e não deixem espaços nas suas costas, onde jogadores como Alex Sandro, Kelvin, Iturbe e Varela são letais.

O meio-campo deve sofrer algumas alterações estruturais, com Moreno a atuar lado a lado com Leonel Olímpio. Rui Vitória optará pela consistência e pelo músculo tendo em vista a anulação do forte jogo interior do oponente. Para isso André deverá ser o elemento que fechará o meio-campo, não só com o trabalho de complementar o duplo-pivôt como também ficará encarregue da organização do jogo ofensivo da equipa nomeadamente dos lançamentos das contra-ofensivas.

O trio da frente deverá ser composto por Marco Matias, Barrientos e Tomané. Na direita aparecerá aquele que  mais impressionou esta pré-época: dois golos e excelentes exibições conduziram Marco Matias ao estatuto de jogador-chave no esquema de Rui Vitória. Para além da irreverência e da profundidade que é capaz de agitar o jogo também podemos contar com ele para as tarefas defensivas, onde terá um papel fundamental ao acompanhar as subidas de Alex Sandro.

Do lado oposto Barrientos aproveitará a ausência de Ricardo Gomes para iniciar o encontro no 11 titular. Esta solução já foi aliás testada na primeira parte do encontro em Barcelos, com relativo sucesso. Encostado a um flanco, mais longe do centro das decisões (o seu maior defeito), pode aproveitar a sua velocidade e verticalidade para criar perigo através das rápidas transições defesa-ataque, para além de funcionar muitas vezes como o 4º médio.  O contra é o facto de o uruguaio ser muitas vezes displicente quando se trata de fechar espaços e a pouca qualidade e eficácia dos seus comportamentos defensivos. Felizmente o todo-o-terrenos Danilo estará indisponível e o outro uruguaio, Fucile, dá muito pouca amplitude ofensiva e qualidade na tomada de decisões no último terço do terreno.

Por fim Tomané terá a difícil missão de lidar com a dupla Mangala-Otamendi, uma das melhores a atuar na Europa. Uma coisa é certa: pelo menos trabalho árduo não faltará ao jovem internacional sub-21. E muitas vezes esta tarefa de desgaste e arrasto da marcação dos centrais apesar de parecer insignificante torna-se fundamental, ao permitir abrir espaços para que outros jogadores possam finalizar.

 

É fundamental que o Vitória sustenha as iniciativas do Porto, que entrará a todo o gás na tentativa de lograr o golo cedo na partida. Terminada esta primeira fase de pressão intensa, o jogo poderá entrar numa toada mais morna onde qualquer desconcentração será fatal. Concentração, coesão, união. No ataque, a eficácia terá que rondar os 100%. O Porto não dará espaço à criação de várias chances portanto o Vitória não se pode dar ao luxo de desperdiçar a hipótese de empurrar a redondinha para o fundo das redes. Primordial também um melhor desempenho nas bolas paradas defensivas, onde o Porto resolveu o encontro da época passada no D. Afonso Henriques.

A todos estes requisitos táticos falta porém adicionar o elemento chave. Paixão. Os 8.000 Vitorianos que se deslocarão a Aveiro garantirão concerteza o apoio necessário aos nossos Conquistadores e darão a força suficiente para levar de vencida o inimigo. Façam-no por vós. Façam-no por nós. É para repetir!

 

FORÇA VITÓRIA! TAL COMO EM 1988 É POSSÍVEL!

  Categories: