Tanto Talento…E No Entanto…

Nada surpreendente a notícia da hipotética venda de João Ribeiro, que ao contrário de algumas notícias lançadas criteriosamente com o intuito de desestabilizar a estrutura vitoriana, tem todos os contornos para se confirmar.

Efectivamente, o (talentoso) extremo encontra-se numa daquelas fases em que a carreira ameaça tornar-se numa dolorosa encruzilhada! Com efeito, não obstante as qualidades que demonstra e fazem dele -claramente – um dos melhores extremos a actuar na liga portuguesa, quando em dia sim, a verdade é que as suas intermitências comprometem indelevelmente um percurso que se poderia augurar de meteórico!

E a verdade é que a primeira época de Vitória confirmou isso… da excelência mesmo actuando numa posição que não é a sua de origem – quem esqueceu aquele jogo a número dez frente ao Benfica ? -, a actuações sofríveis e mesmo saídas do grupo dos convocados, ou repreensões em público por parte do seu próprio treinador, a sua época foi uma gigantesca montanha russa que tornou a sua coexistência no onze algo de difícil.

E esse tem sido o problema… a oscilação entre a genialidade e a mediania… a dificuldade de assimilação de conceitos antonímicos da rebeldia e necessários para a sanidade do grupo… mas, acima de tudo a necessidade da permanente recordação que há uma entidade patronal acima do indivíduo!

João Ribeiro, a consumar-se a saída, até poderá dar as cartas que não deu no Vitória… até poderá ser internacional…até poderá ter uma fulgurante carreira internacional, mas a verdade é que em Guimarães parece ter esgotado a margem de manobra para atingir isso.

Além disso, a necessidade de o somatório das entradas em caixa perfazerem os incessantemente referidos quatro milhões de euros- após a aquisição por parte do fundo de N’Diaye – fazem com que o mesmo seja a escolha mais óbvia para a partida… Porque Manuel Machado sente que há mais vantagens em deixá-lo partir do que insistir nele…porque, apesar de tudo, ainda tem mercado… porque, neste momento, e com a quantidade de extremos existentes não é imprescindível… e porque a direcção vitoriana sente que mais uma época igual à anterior poderá colocar em risco um activo que tem uma cláusula de rescisão de cinco milhões de euros e como sabemos o futebol é o momento e os dois dias anteriores ao momento… e dessa apreciável quantia, após mais uma época malograda, pode só restar a miragem!