Tempo é de esperança… (fotos)

Não apresentando, ainda, os índices necessários para o desenrolar da temporada, a verdade é que o Vitória, pelo menos no patamar ofensivo, demonstra começar a possuir o entrosamento necessário para atormentar os seus oponentes.

Hoje, perante o oitavo classificado do campeonato holandês, o Groningen, Machado foi fiel ao prometido no dia da sua apresentação. Com efeito, relativamente à componente estratégica o Vitória foi o esperado: um 4-4-2 losango, que a certos momentos da primeira metade, sentiu dificuldades para estancar o tão típico 4-3-3 holandês com um único pivot defensivo.

Assim, na primeira parte do desafio já se pôde aquilatar os intentos do regressado treinador vimaranense e as ideias principais e mais relevantes centram-se na zona medular do terreno.

Deste modo, Flávio actuou como vértice recuado do polígono, com Edson a interior esquerdo e João Alves no lado oposto.
No ponto mais adiantado, uma nuance interessante, pois, apesar de o target man Edgar ter sido uma companhia próxima a mesma revezava-se, não existindo um playmaker fixo, já que quer o jovem Bebé, quer o surpreendente velocíssimo Maranhão trocavam amiudemente de posição, rejeitando dar-se a marcações, em especial a esse autêntico colosso de Rhodes, o internacional sueco Granqvist.

E se ofensivamente a estratégia pareceu, desde cedo, condenada ao sucesso, na parte da retaguarda a mesma gerou dúvidas…e esse facto comprovou-se, logo, aos seis minutos quando se comprovou que a parte defensiva deste sistema é a mais complicada de afinar! Assim, um erro de basculação por parte de João Alves permitiu um desequilíbrio na lateral direita da defensiva vitoriana e do consequente centro, Moreno introduziria o esférico na baliza do impotente Serginho.
E, pese embora, a boa reacção dos branquinhos, consubstanciada na quase imediata grande penalidade cavada por Edgar, que o mesmo desperdiçaria, a verdade é que em matéria de consistência defensiva algo, ainda, não funcionou na plenitude.

Com efeito, amiúdes vezes, em especial na primeira metade, o espaço no meio campo defensivo vitoriano assemelhou-se a uma ilha… os interiores Edson e João Alves encontravam-se demasiado afastados da área onde Flávio se colocava e este último encostando-se demasiado aos centrais Freire e Moreno permitia espaços, logicamente evitáveis, entrelinhas aos holandeses. Esta situação aliada à notória falta de conhecimento da dupla centrais fazia com que o alvoroço andasse perto do último reduto vitoriano atendendo ao notório pouco conhecimento da dupla.

Todavia, quando os branquinhos conseguiam impor alguma agressividade no jogo tudo se alterava…e Edson era o que melhor interpretava esse preceito! Deste modo, de uma recuperação de bola do brasileiro seguido de um passe de ruptura pleno de critério surgiria o golo do empate por João Alves… corria o minuto vinte e oito e do lance uma certeza sobressaiu: os interiores vitorianos estarão incumbidos de criar desequilíbrios na área de decisão…poderá, ainda, não existir o desejado organizador de jogo, mas com dois box to box capazes de interagirem em todos os momentos de jogo, tal ausência poderá ser suprível.

Com o golo animou-se o Vitória e aos trinta e seis minutos, Edson num remate de longe com a colaboração do guardião holandês colocaria o Vitória em vantagem..um prémio justo para um dos melhores na primeira metade, a par do irreverente, rápido e desequilibrante Maranhão.

Na segunda metade, pese embora o esquema táctico manter-se, os nomes alteraram-se… Assim, as entradas de Custódio, Rui Miguel, Ostolaza, Faouzi, João Ribeiro e William, serviram, apenas, para alterar os nomes e números já que tudo se manteve.
Porém, atendendo ao facto de o seu humano ser dotado de ipseidade, as características do jogo alteraram-se, pois perdeu-se velocidade e repentismo, ganhando-se posse de bola no meio campo devido à maior capacidade de passe de Ostolaza, Rui Miguel e Custódio.
Mas, a velocidade que havia confundido o adversário na primeira metade deixou de existir e o jogo caiu numa toada modorrenta, só quebrada pelo pontapé de Metaj que tabelando em Custódio, traiu Serginho e empatou a contenda, aos cinquenta e três minutos do desafio.

Diga-se a verdade…apesar da lentidão denotada, no intuito de gerência do jogo e do resultado, o Vitória denotava superior qualidade e não merecia o empate.
Porém, a reacção seria forte… e William que houvera desperdiçado a oportunidade de resolver a partida, apontando o que seria na altura o três a um, haveria de aproveitar uma grande penalidade cometida sobre Moreno para colocar o clube d’El Rei em vantagem… para mesmo sobre o fim do jogo, na sequência de um canto, bisar e resolver, definitivamente, a partida.

O Vitória vencia por quatro bolas a duas e confirmava o já aventado que há matéria prima… mas, também, confirmava alguns pontos preocupantes. Assim, Pereirinha denota pouca rotina ao posto de lateral direito e a adaptação parece difícil. A dupla de centrais não pode ser esta, pois além do parco entrosamento, Freire denota alguma inexperiência.

À frente dos stoppers, Flávio parece, já, não ter pulmão para assumir, quer em capacidade física quer em discernimento, o lugar de pivot defensivo, bem como João Alves que tem que ter um critério superior em matéria de transição defensiva, já que Pereirinha não denota, ainda, a capacidade para assumir o lugar sem apoio do homem mais próximo…e no jogo de hoje, Stenman partiu da sua zona defensiva para conseguir cruzar livre de qualquer oposição…inadmissível, portanto!
Porém, não pretendendo assumir o papel de arautos da desgraça, diremos que os aspectos positivos foram rotundamente superiores aos negativos… Edson, Maranhão e Edgar pese hoje ter estado demasiado perdulário são reforços óbvios e o marroquino Faouzi a espaços demonstrou qualidade…

O tempo é de esperança…a ver vamos!!