Vitória – Leiria (antevisão)

Foi uma exibição de grande nível consubstanciada num triunfo inteiramente indiscutível e com muito mérito o menu que o Vitória proporcionou aos seus sócios na última sexta-feira diante do Benfica.

Manuel Machado, a nível táctico ganhou aos pontos ao auto-intitulado “mestre da táctica”, Jorge Jesus. Porém, este factor para a generalidade da imprensa foi menosprezado, assim como também não foi dado relevo à enorme exibição da formação Vitoriana, que jogou um futebol vistoso, de pé para pé, a toda a largura do terreno e sempre com os olhos postos na baliza encarnada.

Inicialmente, Manuel Machado, e muito bem diríamos nós, apostou num 4-4-2, onde os quatro homens do losango na zona intermediária se superiorizaram aos encarnados, tornando a equipa sempre objectiva e decidida quando tinham a bola em sua posse.

As transições do Vitória, causaram, quase sempre, na primeira metade da partida muito perigo para as redes encarnadas e João Ribeiro a jogar como 10 uma posição algo nova para ele, foi fantástico jogando e fazendo jogar todo o colectivo. Assumindo-se como o patrão do jogo Vitoriano teve como imagem de marca o magistral passe para o primeiro golo, algo só ao alcance dos predestinados.
Toscano voltou a demonstrar que é como segundo avançado que se sente mais à vontade, já que gosta de vaguear na frente de ataque. Na frente Edgar fez um golo de belo efeito e trabalhou muito em prol da equipa.

Na segunda metade do encontro, apesar do Vitória não ter perdido o, totalmente, o controlo do jogo, Manuel Machado efectuou duas alterações que vieram dar ainda mais força e poder de choque ao colectivo com as introduções em liça de Flávio Meireles no lugar de João Alves e com Rui Miguel no lugar de Edson a dar mais acutilância e rapidez ao último terço do terreno.

Dez minutos mais tarde, Edgar, muito desgastado, deu lugar ao rapidíssimo e estonteante Maranhão.

O 4-4-2 inicial deu assim lugar a um 4-2-3-1 com Clebér e Flávio Meireles, uma dupla de pivots à frente da defesa, e depois com Maranhão e João Ribeiro bem abertos nas alas, ficando Rui Miguel no apoio a Toscano que passou a jogar como referência na área. O Vitória ganhou mais largura na frente de ataque e Maranhão com a sua rapidez tornava-se num jogador muito forte para as transições em contragolpe.

Numa dessas transições e com um desenho soberbo fazendo a bola passar a toda a largura do relvado, o Vitória apontou o segundo golo numa excelente execução de cabeça de Rui Miguel, após um grande cruzamento de Bruno Teles que fez mais uma bela exibição, demonstrando que é um excelente lateral.

Até final da partida, o colectivo mostrou-se muito seguro, coeso demonstrando muita confiança e força física e psicológica.

A nível defensivo o sector, durante todo o jogo, voltou a mostrar qualidade.

Apesar de Nilson não se encontrar no seu melhor momento de forma, o remanescente dos companheiros de sector estiveram em grande nível sendo que a dupla de centrais constituída por Ricardo e Freire foram uns pilares “varrendo” quase sempre de forma eficaz o perigo que os dianteiros encarnados procuravam causar no último reduto dos branquinhos.

Na direita Alex subiu pouco no apoio ao ataque, mas nas tarefas defensivas foi muito eficiente e fez uma exibição muito positiva. Na esquerda, Teles, a nível defensivo esteve muito bem e nas várias incursões ao ataque mostrou muita qualidade nos cruzamentos, assim como nas bolas paradas onde testou o seu remate es proporcionando, num deles, uma grande defesa ao guarda-redes adversário.

Destaque também para Clebér pois o médio defensivo brasileiro rouba muitas bolas ao adversário e em frente à defesa é um verdadeiro “tampão, tornando-se nesta fase precoce da temporada um jogador fulcral na manobra da equipa.

Agora, e depois do magnifico categórico triunfo, a que se aliou uma convincente exibição diante do Benfica, é necessário, dar continuidade frente à União de Leiria.

Jogando em casa, o Vitória terá que tomar a iniciativa de jogo, um pouco ao contrário do que aconteceu na última partida, onde o Vitória apostou no contra ataque. Assim sendo, parece-me que Manuel Machado poderá apostar inicialmente numa formação mais ofensiva e não tanto de contenção no meio campo como se comprovou ser necessário no desafio frente aos lisboetas.

Neste contexto e comparativamente ao último 11 retiraria apenas João Alves e faria entrar Pereirinha, um médio ala que traria mais velocidade e profundidade à equipa, e mantinha a disposição táctica num 4-4-2 losango que poderia transformar-se, rapidamente. numa variante 4-2-3-1 com Clebér e Edson mais recuados no meio campo e depois Pereirinha e João Ribeiro bem abertos nas alas.

Na parte mais dianteira do sistema, Toscano apoiaria Edgar. Maranhão e Rui Miguel este último a mostrar que podem contar com ele, apesar de terem entrado muito bem no último jogo, continuariam no banco como uma espécie de “armas secretas” a lançar no decorrer do encontro de Sábado.

O onze a lançar frente aos Leirienses poderia então ser este:

Adversário-União de Leiria

O conjunto Leiriense está a ter um início de época normal dado os objectivo do clube da Cidade do Lis. Contabiliza 5 pontos na Liga e mostra uma boa performance defensiva com apenas 2 golos sofridos tantos quantos os que já marcou nas balizas contrárias.
A Equipa orientada por Pedro Caixinha antigo adjunto de José Peseiro vem de um triunfo moralizador em casa diante do Nacional por 2-1.

No D.Afonso Henriques, o timoneiro leiriense deverá colocar a sua Equipa a jogar num sistema táctico assente num 1-4-4-2 losango, apostando claramente no contra-ataque e jogando no erro do adversário.

A União de Leiria conta com uma equipa experiente e no sector defensivo conta com o bom momento de forma do guarda-redes brasileiro Gottardi que têm substituído muito bem o internacional sérvio Djuricic que está castigado interinamente pelo clube, e que na época passada mostrou-se em grande plano.

Os dois centrais José António e Bruno Miguel são experientes e fortes no jogo aéreo, mas denotam lentidão no arranque quando apanham avançados móveis e velozes.

Nas laterais, na direita joga Hugo Gomes que não apoia muito o ataque, mas defensivamente é seguro. Na canhota da defesa, o brasileiro Paulo Vinicius não é um lateral de raiz, mas é muito disciplinado tacticamente. Todavia, é muito faltoso e não conta com uma velocidade de ponta susceptível de causar desequilíbrios.

No meio campo, contam com jogadores de boa qualidade técnica e experientes como são os casos de Paulo Sérgio, médio defensivo brasileiro ex-Académica, e também do esquerdino e desequilibrador Pateiro, dois jogadores que foram curiosamente lançados na Liga por Manuel Machado.

Depois o brasileiro Marcos Paulo que se estreou na semana passada e apontou logo um golo e o português Silas que joga como o homem mais adiantado do vértice de losango são os verdadeiros desequilibradores e criativos da zona intermediária do colectivo dos homens do Lis.

Na frente de ataque o camaronês N´Gall é muito veloz e um jogador perigoso nas transições.O avançado brasileiro Carlão é muito móvel, tecnicista e forte no jogo aéreo e é preciso ter atenção aos seus movimentos das faixas para o meio.

As bolas paradas são uma das grandes especialidades dos homens do Centro do país, pois contam com jogadores altos e fortes no jogo aéreo, como José António, Bruno Miguel, Paulo Vinicíus, Paulo Sérgio e Carlão.

É necessário um Vitória humilde, trabalhador e determinado em vencer um Leiria sempre incómodo nas deslocações que efectua à Cidade Berço.

Ademais, algumas características bem patenteadas no pretérito desafio terão de se manter. Ipso modo o Vitória terá de ser objectivo, realizar uma boa circulação de bola e mais uma vez a jogar e bem a toda a largura do relvado.

Jogando em casa, será mais uma vez preponderante o “Inferno Branco” que ainda na última partida foi soberbo e inexcedível no apoio à equipa. Espera-se, então, no Sábado muito apoio das bancadas e mais um triunfo, que permita ao Vitória continuar no segundo lugar da Liga.

“Força Vitória e Vitória Sempre”!

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