Vitória – Porto (Antevisão)

Questão Técnico-Táctica

Jogo grande esta segunda-feira no D.Afonso Henriques, onde estarão frente a frente o Vitória ante o até agora líder invicto Porto. Em perspectiva uma partida de grande qualidade pois estarão a evoluir no relvado duas equipas que gostam de jogar futebol de qualidade, alegre e que seguramente vão querer proporcionar um grande espectáculo. Nas Bancadas do Estádio do Rei espera-se também um grande ambiente, o que dará ainda mais brilho a esta partida. Será mais um “inferno branco”no apoio à formação Vitoriana, para que esta consiga amealhar mais 3 preciosos pontos.

Depois de ser derrotado em Coimbra na semana passada, os “branquinhos” querem regressar aos triunfos e as boas exibições e logo diante de um adversário que até agora soma por triunfos todos os jogos realizados, um factor que poderá servir de motivação extra para os jogadores do Vitória.

Comparativamente ao último jogo com a Académica são esperadas alterações no 11 inicial. No sector defensivo o experiente defesa central João Paulo, que esteve afastado da competição devido a problemas de saúde, deve regressar ao eixo da defesa em detrimento do jovem brasileiro Leandro Freire. Uma troca natural e que visa dar mais consistência e solidez à defesa, situação essa que na jornada passada não aconteceu. No restante do sector parece não haver motivos para fazer alterações, pois Alex e Bruno Teles nas laterais estão num bom momento de forma e o cabo-verdiano Ricardo também tem cumprido a suas tarefas no eixo defensivo.

Na zona intermediária parece ser pertinente haver trocas. Nesse contexto será mais adequado reforçar o meio campo defensivo, com a introdução do Flávio Meireles em detrimento de João Alves o que trará mais músculo, força e poder de choque. Com Flávio e Clebér como dupla de pivôs defensivo o Vitória poderá equilibrar a luta do ” miolo” do terreno, onde o Porto com Moutinho e Bellushi é muito forte. Com Flávio Meireles e Clebér a funcionarem como dois tampões em frente à defesa, também seria dada maior liberdade a jogadores como Rui Miguel que já merece a titularidade e a Toscano e João Ribeiro que seriam os médios de ligação ao ataque. É então fulcral que estes três médios de cariz ofensivo do Vitória troquem muitas vezes de posição de forma a dificultar a marcação dos defesas portistas, e possam assim com essas movimentações criar desequilíbrios e rupturas no último terço do terreno. Como referência na área continuará o Edgar que terá que tentar arrastar os centrais do Porto, de forma abrir espaços para os seus colegas, e se tiver a possibilidade de almejar a baliza tripeira, que materialize em golo as oportunidades que disponha.

O sistema táctico para este jogo seria o 1-4-2-3-1 em detrimento do 1-4-4-2 que tem vindo a ser utilizado ultimamente por Manuel Machado. O 11 poderia então ser este:

Adversário-F.C.Porto

A equipa orientada por André Villas Boas está a ter um inicio de época “arrasador” face a concorrência. Em 11 jogos oficiais contando os da Liga Europa foram conquistados outros tantos triunfos o que mostra o grande momento do conjunto portista.”A nível defensivo é a melhor defesa da liga com apenas 2 golos sofridos e é também o melhor ataque com 13 golos já marcados nas balizas dos adversários.

Com uma variante táctica assente num 4-3-3 puro, este Porto mostra ser muito forte nas transições ofensivas rapidíssimas, e na pressão muito alta que exerce, o que faz com que o adversário por vezes tenha dificuldades em “respirar.

Na baliza o brasileiro Helton é o dono das redes dos azuis e brancos. É um guarda-redes que tem muitas dificuldades nas saídas aos cruzamentos, um facto a explorar pelo Vitória. Na defesa na direita, deverá jogar o romeno Sapunaru um lateral pouco ofensivo mas que equilibra a equipa com a sua consistência defensiva, ainda que seja pouco veloz e denote dificuldades quando se depara com um ala rápido e tecnicista. Se porventura jogar Fucile o Porto ganha com o lateral uruguaio mais propensão ofensiva, mas defensivamente fica a perder em relação a Sapunaru que é mais disciplinado tacticamente. Os centrais serão Rolando e Maicon, uma dupla que até ao momento tem estado em bom nível. São ambos fortes no jogo aéreo, mas, Maicon sente muitas dificuldades quando se sente pressionado, o que faz com que seja obrigado a errar. Na canhota da defesa o uruguaio Álvaro Pereira é muito rápido e desdobra-se muito no apoio as acções ofensivas, porém dá muitos espaços nas “costas” o que pode permitir ao Vitória rápidos contra ataques pelo seu corredor.

No meio campo o Porto é fortíssimo pois conta com Fernando que é porventura o melhor médio defensivo do nosso campeonato, com João Moutinho que é um médio box-to-box e com o argentino Bellushi que está um jogador claramente diferente para melhor, relativamente à época passada. Neste triângulo, parece estar a grande força do colectivo portista, pois imprimem muito ritmo e qualidade no jogo da sua equipa, sendo jogadores sobretudo Moutinho e Bellushi muito tecnicistas e com muita precisão no passe.Na frente de ataque, bem aberto numa ala estará Hulk, jogador fortíssimo no um para um e capaz de desequilibrar a qualquer momento da partida. Bruno Teles seu opositor directo não pode permitir que Hulk faça o seu movimento típico que é flectir da direita para o centro e aplicar o seu potente remate. A outra ala deverá ser entregue a Varela que é um “velocista”, muito forte tecnicamente e que a nível táctico ao invés de Hulk acompanha as investidas do lateral da equipa adversária. Alex acima de tudo não poderá deixar “embalar” o extremo dos dragões. O homem mais adiantado, o colombiano Falcao é muito móvel, desmarca-se com muita facilidade e é também muito “felino” na área adversária.

É necessária muita atenção nas bolas paradas, pois Bellushi e João Moutinho cruzam de forma muito tensa para jogadores altos como Rolando, Sapunaru e Maicon.

É de evitar por parte dos jogadores do Vitória alguns contactos junto à área, pois aí em primeiro lugar com as habilidades de Carlos Xistra e depois com a qualidade de Hulk podem criar mossa para a baliza de Nilson.

Será preciso um Vitória ao seu melhor nível à imagem do que aconteceu perante o Benfica, de forma a levar de vencida um adversário altamente moralizado, mas que não é invencível e que esperemos que no final do jogo saboreie o amargo sabor da derrota.

Nunca é demais realçar a força dos sócios Vitorianos, por isso, é necessário mais uma vez que o 12-jogador empurre a equipa para o triunfo e lhe dê aquela força que só nos Vitorianos sabemos dar. Esta 2-feira será também o dia de toda a família vitoriana homenagear essa grande figura chamada António Jesus, Homem este que deixou uma enorme marca no nosso Clube. ”Lá em cima” seguramente ele irá sorrir ao ver o nosso reconhecimento pela sua pessoa.

“Força Vitória e Vitória Sempre”

José Lafuente

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